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quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

A história do Movimento Pentecostal e o contato com Willian H. Durham

9 comentários
Copiado do Blog Centenário CCB
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Por Daniel
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O irmão ancião Louis Francescon manteve contato com o movimento pentecostal americano iniciado em Los Angeles, e, em uma reunião deste movimento em Chicago, Francescon tem sua experiência com o falar em novas línguas. Iniciando assim um novo capítulo na história das igrejas italianas dos Estados Unidos: O Movimento Pentecostal Ítalo-Americano.


Para compreendemos este assunto temos que nos reportar ao começo do século passado, quando houve o início do Movimento, do qual nós descendemos, mesmo que indiretamente.

Vejamos:

O início do avivamento começou com o ministério do Charles Fox Parham. Em 1898 Parham abriu um ministério, incluindo uma escola Bíblica, na cidade de Topeka, Kansas. Depois de estudar o livro de Atos, os alunos da escola começaram buscar o batismo no Espírito Santo, e, no dia 1° de janeiro de 1901, uma aluna, Agnes Ozman, recebeu o batismo, com a manifestação do dom de falar em línguas estranhas. Nos dias seguintes, outros alunos, e o próprio Parham, também receberam a experiência e falaram em línguas.
Charles Fox Parham


Nesta época, as igrejas Holiness ("Santidade"), descendentes da Igreja Metodista, ensinaram que o batismo no Espírito Santo, a chamada "segunda benção", signficava uma santificação, e não uma experiência de capacitação de poder sobrenatural. Os dons do Espírito Santo, tais como falar em línguas estranhas, não fizeram parte da sua teologia do batismo no Espírito. A mensagem do Parham, porém, foi que o batísmo no Espírito Santo deve ser acompanhado com o sinal miraculoso de falar em línguas.

Parham, com seu pequeno grupo de alunos e obreiros, começou pregar sobre o batismo no Espírito Santo, e também iniciou um jornal chamado "The Apostolic Faith" (A Fé Apostólica). Em Janeiro de 1906 ele abriu uma outra escola Bíblica na cidade de Houstan, Texas.
Um dos alunos esta escola foi o William Seymour. Nascido em 1870, filho de ex-escravos, Seymour estava pastoreando uma pequena igreja Holiness na cidade, e já estava orando cinco horas por dia para poder receber a plentitude do Espírito Santo na sua vida.


William Seymour


Seymour enfrentou as leis de segregação racial da época para poder frequentar a escola. Ele não foi autorizado ficar na sala de aula com alunos brancos, sendo obrigado a assistir as aulas do corredor. Seymour também não pude orar nem receber oração com os outros alunos, e consequentamente, não recebeu o batismo no Espírito Santo na escola, mesmo concordando com a mensagem.

Uma pequena congregação Holiness da cidade de Los Angeles ouviu sobre Seymour e o chamou para ministrar na sua igreja. Mas quando ele chegou e pregou sobre o batismo no Espírito Santo e o dom de línguas, Seymour logo foi excluído daquela congregação.

Sozinho na cidade de Los Angeles, sem sustento financeiro nem a passagem para poder voltar para Houston, Seymour foi hospedado por Edward Lee, um membro daquela igreja, e mais tarde, por Richard Asberry. Seymour ficou em oração, aumentando seu tempo diário de oração para sete horas por dia, pedindo que Deus o desse "aquilo que Parham pregou, o verdadeiro Espírito Santo e fogo, com línguas e o amor e o poder de Deus, como os apóstolos tiveram."

Uma reunião de oração começou na casa da família Asbery, na Rua Bonnie Brae, número 214. O grupo levantou uma oferta para poder trazer Lucy Farrow, amiga de Seymour que já tinha recebdo o batismo no Espírito Santo, da cidade de Houston. Quando ela chegou, Farrow orou para Edward Lee, que caiu no chão e começou falar em línguas estranhas.

Naquela mesma noite, 9 de abril de 1906, o poder do Espírito Santo caiu na reunião de oração na Rua Bonnie Brae, e a maioria das pessoas presentes começaram falar em línguas. Jennie Moore, que mais tarde se casou com William Seymour, começou cantar e tocar o piano, apesar de nunca tiver aprendido a tocar.

A partir dessa noite, a casa na Rua Bonnie ficou lotado com pessoas buscando o batismo no Espírito Santo. Dentro de poucos dias, o próprio Seymour também recebeu o batismo e o dom de línguas.

Uma testemunha das reuniões na Rua Bonnie Brae disse:

Eles gritaram durante três dias e três noites. Era Páscoa. As pessoas vieram de todosos lugares. No dia seguinte foi impossível chegar perto da casa. Quando as pessoas entraram, elas cairam debaixo do poder de Deus; e a cidade inteira foi tocada. Eles gritaram lá até as fundações da casa cederam, mas ninguém foi ferido. Durante esses três dias havia muitas pessoas que receberam o batismo. Os doentes foram curados e os pecadores foram salvos assim que eles entraram.

Sabendo que a casa na Rua Bonnie Brase estava ficando pequena demais para as multidões, Seymour e os outros procuravam um lugar para se reunir. Eles acharam um prédio, na Rua Asusa, número 312, que tinha sido uma igreja Metodista Episcopal mas, depois de ser danificado num incêndio, foi utilizado como estábulo e depósito. Depois de tirar os escombros, e construir um púlpito de duas caixas de madeira e bancos de tábuas, o primeiro culto foi realizado na Rua Asusa no dia 14 de abril de 1906.

Muitos cristãos na cidade de Los Angeles e cidades vizinhas já estavam esperando por um avivamento. Frank Bartleman e outros estiveram pregando e intercedendo por um avivamento como aquilo que Deus estava derramando sobre o país de Gales.

Num folheto escrito em novembro de 1905, Barteman escreveu:

A correnteza do avivamento está passando pela nossa porta... O espírito de avivamento está chegando, dirigido pelo sopro de Deus, o Espírito Santo. As nuvens estão se juntando rapidamente, carregadas com uma poderosa chuva, cuja precipitação demorará apenas um pouco mais.

Heróis se levantarão da poeira da obscuridade e das circunstâncias desprezadas, cujos nomes serão escritos nas páginas eternas da fama Celestial. O Espírito está pairando novamente sobre a nossa terra, como no amanhecer da criação, e o decreto de Deus saía: "Haja luz"...
Mais uma vez o vento do avivamento está soprando ao redor do mundo. Quem está disposto a pagar o preço e responder ao chamado para que, em nosso tempo, nós possamos viver dias de visitação Divina?

O pastor da Primeira Igreja Batista, Joseph Smale, visitou o avivamento em Gales, e reuniões de avivamento continuavam para alguns meses na sua igreja, até que ele foi demetido pela liderança. Bartleman escreveu e recebeu cartas de Evan Roberts, o líder do avivamento de Gales. Mas o avivamento começou com o pequeno grupo de oração dirigido por Seymour.

Depois de visitar a reunião na Rua Bonnie Brae, Bartleman escreveu:

Havia um espírito geral de humildade manifesto na reunião. Eles estavam apaixandos por Deus. Evidentemente o Senhor tinha achado a pequena companhia, ao lado de fora como sempre, através de quem Ele poderia operar. Não havia uma missão no país onde isso poderia ser feito.
Todas estavam nas mãos de homens.

O Espírito não pôde operar. Outros mais pretensiosos tinham falhados. Aquilo que é estimado por homem foi passado mais uma vez e o Espírito nasceu novamente num "estábulo" humilde, por fora dos estabelecimentos eclesiásticos como sempre.3Interesse nas reuniões na Rua Azusa aumentou depois do terrível terremoto do dia 18 de abril, que destruiu a cidade vizinha de San Francisco. Duras críticas das reuniões nos jornais da cidade também ajudavam a espalhar a noticia do avivamento.

Como no avivamento de Gales, as reuniões não foram dirigidas de acordo com uma programação, mas foram compostos de oraçãos, testemunhos e cânticos espontâneos. No jornal da missão, também chamado "The Apostolic Faith", temos a seguinte descrição dos cultos:"As reuniões foram transferidas para a Rua Azusa, e desde então as multidões estão vindo.

As reuniões começam por volta das 10 horas da manhã, e mal conseguem terminar antes das 20 ou 22 horas, e às vezes vão até às 2 ou 3 horas da madrugada, porque muitos estão buscando e outros estão caídos no poder de Deus. As pessoas estão buscando no altar três vezes por dia, e fileiras e mais fileiras de cadeiras precisam ser esvaziadas e ocupadas com os que estão buscando. Não podemos dizer quantas pessoas têm sido salvas, e santificadas, e batizadas com o Espírito Santo, e curadas de todos os tipos de enfermidade. Muitos estão falando em novas línguas e alguns estão indo para campos missionários com o dom de línguas. Estamos buscando mais do poder de Deus."




Frank Bartleman também escreveu sobre os cultos na Rua Azusa:O irmão Seymour normalmente se sentou atrás de duas caixas de sapato vazias, uma em cima da outra. Ele acustumava manter sua cabeça dentro da caixa de cima durante a reunião, em oração. Não havia nenhum orgulho lá. Os cultos continuavam quase sem parar. Almas sedentas poderiam ser encontradas debaixo do poder quase qualquer hora, da noite ou do dia.

O lugar nunca estava fechado nem vazio. As pessoas vieram para conhecer Deus. Ele sempre estava lá. Conseqüentemente, foi uma reunião contínua. A reunião não dependeu do líder humano.

Naquele velho prédio, com suas vigas baixas e chão de barro, Deus despedaçou homens e mulheres fortes, e os juntou novamente, para a Sua glória. Era um processo tremendo de revisão. O orgulho e a auto-asserção, o ego e a auto-estima, não podiam sobreviver lá. O ego religioso pregou seu próprio sermão funerário rapidamente.

Nenhum assunto ou sermão foi anunciado de antemão, e não houve nenhum pregador especial por tal hora. Ninguém soube o que poderia acontecer, o que Deus faria. Tudo foi espontâneo, ordenado pelo Espírito. Nós quisemos ouvir de Deus, através de qualquer um que Ele poderia usar para falar. Nós tivemos nenhum "respeito das pessoas." O rico e educado foi igual ao pobre e ignorante, e encontrou uma morte muito mais difícil para morrer. Nós reconhecemos somente a Deus. Todos foram iguais.

Nenhuma carne poderia se gloriar na presença dEle. Ele não pôde usar o opiniático. Essas foram reuniões do Espírito Santo, conduzidas por Deus. Teve que começar num ambiente pobre, para manter o elemento egoísta, humano, ao lado de fora. Todos entraram juntos em humildade, aos pés dEle.

Notícias sobre as reuniões na Rua Azusa começaram a se espalhar, e multidões vierem para poder experimentar aquilo que estava acontecendo. Além daqueles que vierem dos Estados Unidos e da Canadá, missionários em outros páises ouvirem sobre o avivamento e visitavam a humilde missão. A mensagem, e a experiência, "Pentecostal" foi levada para as nações. Novas missões e igrejas Pentecostais foram estabelecidas, e algumas denominações Holiness se tornaram igrejas Pentecostais. Em apenas dois anos, o movemento foi estabelecido em 50 nações e em todas as cidades nos Estados Unidos com mais de três mil habitantes.

A influência da missão da Rua Azusa começou a diminuir à medida que outras missões e igrejas abraçaram a mensagem e a experiência do batismo do Espírito Santo. Uma visita de Charles Parham à missão, em outubro de 1906, resultou em divisão e o estabelecimento de uma missão rival. Parham não se conformava com a integração racial do movimento, e criticou as manifestações que ele viu nas reuniões.

Em setembro de 1906 a Missão da Rua Azusa lançou o jornal "The Apostolic Faith", que foi muito usado para espalhar a mensagem Pentecostal, e continuou até maio de 1908, quando a mala direta do jornal foi indevidamente transferida para a cidade de Portland, assim efetivamente isolando a missão de seus mantenadores.

O avivamento da Rua Azusa durou apenas três anos, mas foi instrumental na criação do movimento Pentecostal, que é o maior segmento da igreja evangélica hoje. William H. Durham(é possível encontrar este nome no livreto que a CCB distibui com o testemunho de Luigi Francescon)recebeu seu batismo no Espírito Santo em Azusa, formando missionários na sua igreja em Chicago, como E. N. Bell (fundador da Assembleia de Deus dos EUA), Daniel Burg (fundador da Assembleia de Deus no Brasil) e Luigi Francescon (fundador da Congregação Cristã no Brasil).


Fonte:1. Fire on the Earth por Eddie Hyatt2. The Topeka Outpouring of 1901 por Larry Martin3. Azusa Street por Frank Bartleman4. Jornal The Apostolic Faith da Missão Azusa5. The Fire That Could Not Die por Rick Joyner6. Azusa Street & Beyond por Grant McClung

Por :http://www.avivamentoja.com/pmwiki.php?n=Passado.Azusa Via: ExamineTudo


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domingo, 31 de janeiro de 2010

Retrato falado

2 comentários
por Mário


Não importa onde estajamos, suas cores e formas denunciam: “aqui tem um templo da Congregação Cristã no Brasil”, ou como diz a canção “aqui a congregação estendeu seu véu”. .
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A CCB é uma igreja extremamente organizada, até mesmo os criticos da CCB enaltecem a esta qualidade. Em tempos que para muitos a religião tornou-se um lucrativo negócio e assim em poucos dias erguem-se mega-templos em pontos estratégicamentes posicionados, a CCB ainda mantém os singelos mutirões de membros aos finais de semanas, e isso tem dado certo, somos cerca de 19000 templos espalhado por todo o Brasil.
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A CCB é uma instituição amada e odiada, amada pelos seus membros e odiada por muitos irmãos evangélicos de outras searas. Ainda que os nossos criticos não admitam na CCB há grande reverencia pelo sagrado e muito repeito ao ministério. No cultos homens de um lado e mulheres do outro, formam um cenário único no meio evangélico brasileiro, centenas de homens enfileirados, todos trajados de terno, o mesmo do lado das mulheres, onde centenas cobrem suas cabeças com o véu. Este ambiente agradavel somado a boa música, tocado pela maior orquestra do mundo, é um convite permanecermos nas fileiras da congregação e para que os visitantes voltem sempre a “Casa de Oração”.
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É verdade que aqui não há preparo de sermões para ser pregado nos cultos, e que nossos ministros não possuem formação teológica, mas isto não quer dizer que as pregações não estejam de acordo com as Sagradas Escrituras e que são como o “pão do céu” que alimenta a alma.
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Somos uma igreja avivada, temos a graça de termos o Espirito Santo como condutor da Igreja, por isso, sempre que saimos da igreja, voltamos para casa com aquilo que espiritualmente necessitamos, e aqueles que entram na congregação pela primeira vez saem delá maravilhados com a experiencia de terem sido tocados pela pregação.
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Antes que me atirem pedras, preciso dizer que esta não é uma caracteristica exclusiva da CCB, e que estou falando dela porque é a igreja qual frequento. Não vou deixar de dizer que, as vezes, há deslizes na Palavra, porque realmente há, mas isso também não é exclusividade da CCB, onde tem o homem presente, fuçando encontraremos falhas.
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Bispos levando dolares ilegalmente dentro da Bíblia para outos países e impérios da comunicação sendo erguidos com dinheiro de gente simples e assalariada, nesse cenário, a CCB pode orgulhar-se por estar no rol de igrejas sérias, que fazem gestão transparente dos recursos provenientes de doações espontaneas do fiéis denominada “coleta”.
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Na CCB ninguém é remunerado, todo serviço é prestado voluntariamente, o musico e a organista tocam com alegria porque gostam, os amorosos diaconos e irmãs da obra da piedade trabalham porque se preocupam o sofrimento dos pequeninos do Senhor, os anciães e cooperadores de adulto e de jovens pregam porque acreditam que Deus a eles confiou esta missão.


Mas não é só isso, tem os missionários que sem fazer alarde estão levando as boas novas do evangelho por todo mundo, graças ao empenho deles a Congregação Cristã está presente nos cinco continentes. Outra coisa bonita de se ver são os evangelistas, geralmente homens simples e de pouca instrução material, mas de enorme sabedoria, Deus os capacita e com um unico versículo estes homens abrem suas bocas e derramam uma água pura e cristalina que vem direto da fonte. A sabedoria e beleza das palavras que saem da boca desses homens não encontramos nos mais famosos livros de poesia e nem mesmo nas teses academicas dos sabios em ciencia humana.
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Tudo isso faz-se por amor, não esperamos ser recompensados aqui na terra, motiva-nos a esperança de lá no céu recebermos a "coroa de glória". Ultimamente muito se falou da CCB, eu mesmo falo, mas não temos apenas falhas, temos muita coisas boas, acima citei apenas algumas delas.
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Ah, ia me esquecendo, como estamos em ano de eleiçoes, vale lembrar que a CCB é totalmente apolitica, política e políticos passam longe dos nossos pulpitos, cada um é livre para comprir o seu dever de cidadão.
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Em 2010 a CCB é 100!
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sábado, 30 de janeiro de 2010

2010 - O Ano do Jubileu

0 comentários
. por Ricardo Alexandre
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Certas datas são tão especiais que não podem passar em branco. Algumas demarcam períodos e representam ciclos que nos oferecem uma boa oportunidade para fazermos um balanço, refletirmos, e até mesmo recomeçarmos.
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Verso áureo: "E santificareis o ano quinquagésimo, e apregoareis liberdade na terra a todos os seus moradores; ano do jubileu vos será, e tornareis cada um à sua possessão, e tornareis cada um à sua família" (Lv 25:10).
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Explicando. Para falarmos de ano do Jubileu, obrigatóriamente, temos que falar de ano sabático - Todo sétimo ano, segunda a Lei, os campos e as vinhas não eram cultivados, e se produzissem, a colheita era distribuída aos pobres, estrangeiros e animais da terra; os israelitas, entre si, liquidavam as suas dívidas. Depois de sete vezes sete anos sabáticos (49 anos) havia um ano do jubileu, durante o qual todas as terras vendidas ou confiscadas eram devolvidas a seus primitivos proprietários e todos os escravos eram libertados (Lv 25:13,14; 25:39-54; 27:16-24), por esse motivo era também chamado de 'Ano da Liberdade' (Ez 46:18).
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Complicando. O ano do jubileu é um tipo da graça; indugências eram conferidas indistintamente, não por méritos, mas por puro favor. A Graça nos confere perdão imerecido e restitui nosso direito e comunhão com Deus.
O Jubileu era um período temporal para figurar a herança eternal
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Celebrando. O 'ano da liberdade' era anunciado ao som da trombeta e havia santa convocação; o entusiasmo tomava a todos que se faziam indulgentes uns com os outros; desavenças eram esquecidas, bens restituídos, desavenças esquecidas, alforrias concedidas. Conta-se que por ocasião da solenidade, Alexandre Magmo e Júlio César, isentara os impostos dos judeus. Era o espírito 'jubilino' contagiando a todos.
Celebravam a Graça estando ainda debaixo da Lei.
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Recomeçando. Um ciclo se fechava e outro se iniciava no dia da expiação, também chamado 'dia do perdão'. O que ficava para trás era esquecido; tipo do esquecimento de Deus com relação aos nossos pecados (Jr 31:34; Mq 7:18). Deixavam as coisa velhas para viverem coisas novas e da novidade do campo comiam (Lv 25:6,7,12).
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Aniversariando. A CCB comemora neste ano de 2010 o seu segundo jubileu, ou seja, seu centenário. Se a aniversariante é santa, a festa é santa. Se aqueles que viviam na época da Lei celebravam a Graça, quanto mais nós que estamos nesta dispensação.
Eles festejavam fora do tempo, nós vivemos o tempo.
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Parabenisando. "À Senhora eleita, e a seus filhos, aos quais amo na verdade, e não somente eu, mas todos os que tem conhecido a verdade" (2Jo 1). A todas as famílias e pessoas que escreveram essa história. A ti Congregação Cristã no Brasil:
Parabéns pra você, neste ano querido...
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Contrariando. Se a festa é santa - "Porque jubileu é, santo será para vos" (Lv 25:12) - por que alguns não estão jubilosos? Por que andam dizendo que estas coisas são carnais? Por que retardaram o lançamento do novo hinário? Eu celebrarei pois sinto júbilo, "Pelo que todos os que somos perfeitos (salvos) sintamos isto mesmo; e, se sentis alguma coisa doutra maneira, também Deus vo-lo revelará" (Fp 13:15).
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Comparando. O panoramo do primeiro jubileu em 1960 era bem diferente do atual. A década de 50 foram os anos dourados também para a CCB que vivia seu apogeu, era o maior grupo evangélico do país e recentemente havia inaugurado sua suntuosa sede no Brás. Houve que dissesse: "Deus não quer grandes templos na sua 'Obra'; sim, grandes homens que preguem a sua Palavra".
O ciclo que se findou nos trouxe os grandes templos; O ciclo que se inicia, que nos traga os grande pregadores.
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Perdoando. Eu quero provar do novo. Eu preciso recomeçar. Pela Graça recebida dou o meu perdão para que possa prosseguir em paz. Não mais me importarei com as denuncias que ouvi, com os dossiês que li , e as coletas que não vi, "mas uma coisa faço, e é que, esquecendo as coisa que atrás ficam, e avançando para aquelas que estão adiante de mim, prossigo para o alvo, pelo prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus" (Fp 3:13,14).
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Sonhando. Por um momento imaginei, como muitos consideram a CCB a Graça de Deus, que esta poderia agir com graça e apregoar liberdade a todas suas ovelhas censuradas, perdoando e restituindo o direito destas para que possam comer da novidade do campo.
Exerceste o juízo ("e àqueles que retiverdes os pecados lhes são retidos" Jo 20:23b); agora exercei a graça (Àqueles que perdoardes os pecados lhes são perdoados" Jo 20:23a).
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Acordando. Amar não é idealizar - a CCB não é a Graça de Deus, mas agraciada por Deus. Não queremos igreja salvadora, mas que espelhe o Salvador. Esta coroa só pertence ao Senhor Jesus, seu peso é muito para suportarmos; lançamo-la diante o trono, aos pés daquele que nele se assenta dizendo: "Digno és, Senhor" (Ap 4:10).
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Desejando. Para o Jubileu se tonar verdadeiramente um 'Ano de Graça' que cada crente seja um promotor do reino de Deus, demonstrando o quanto de graça possui e libere o seu perdão; é isto que significa 'dai de graça o que de graça recebeste'.
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Em 2010, graça a todos!

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sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Quando vier do céu...

1 comentários
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por Hélio


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Um século de história e a esperança da Vinda de Cristo bradando em nossos corações! O tempo passa, o homem muda, as republicas e os reinos oscilam, porém a promessa de JESUS CRISTO na vida de todos aqueles que nELE creram jamais passará, pois brevemente herdaremos das SUAS mãos a Coroa da Vida Eterna com Glória nos Céus. Neste centenário da Congregação Cristã no Brasil, além da alegria no momento presente vamos nos lembrar também da expectativa futura que brevemente esta por vir, da fiel promessa do Filho de DEUS: "Não se turbe o vosso coração, credes em Deus, crede também em mim. Na casa de meu Pai há muitas moradas, se não fosse assim, eu vo-lo teria dito. Vou preparar-vos lugar e quando EU for, e vos preparar lugar, virei outra vez, e vos levarei para mim mesmo, para que onde eu estiver estejais vós também." João 14:1-3
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DEUS ama as nossas almas e a porta da SUA misericórdia ainda continua aberta, "porque Deus não é injusto para se esquecer da vossa obra, e do trabalho e do amor que para com o seu nome mostrastes, enquanto servistes aos santos; e ainda servis. Mas desejamos que cada um de vós mostre o mesmo cuidado até ao fim, para completa certeza da esperança." Hebreus 6:10-11
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O mesmo cuidado que tivemos no principio devemos levar até ao fim, conforme referência bíblica citada acima, e que este momento tão sublime na história da Congregação possa servir para lembrarmo-nos das virtudes do nosso passado, atuarmos no presente visando sempre o nosso crescimento e progressão na fé que há em Cristo JESUS para a completa certeza de nossa esperança no futuro, pois "Aquele que testifica estas coisas diz: Certamente cedo venho. Amém. Ora vem, Senhor Jesus!" Ap 22:20




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domingo, 24 de janeiro de 2010

Um blog que é cem (blog do centenário)

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Em comemoração ao primeiro Centenário da Congregação Cristã no Brasil, os blogueiros ccbeianos autores dos blogs: Bereiano, Apologética CCB, Examine Tudo, Ekklesia Christiana, CCB: Resgatando nossa História, Graça Maravilhosa e Cristão CCB decidiram que além dos blogs citados, estarão unidos editando o blog do Centenário da CCB.

Portanto, de agora em diante, além dos meus textos, aqui neste blog, estarão sendo publicados os textos do Ricardo Alexandre, Charles Fernando, Daniel Pereira, Ednelson, Helio Marques, Ismael Lima. Os meus textos também poderão ser apreciados nos blogs dos referidos irmãos.

Abaixo publico o primeiro texto de muitos textos que serão publicados no blog Centenário CCB, que ainda está sofrendo alterações no layout. Contamos com sua visita.


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Pentecostalismo brasileiro: as origens


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É impossível falar em “pentecostalismo brasileiro” sem antes falarmos um pouco sobre o pentecostalismo norte-americano. O fenômeno religioso denominado “pentecostalismo brasileiro” está prestes as completar cem anos, estudiosos da religião dizem que o pentecostalismo é um dos mais importantes fenômenos religiosos ocorrido no século XX. Desde o seu surgimento publico na Azuza Street, na cidade de Los Angeles, Califórnia - Estados Unidos, em 100 anos, o pentecostalismo conquistou 500 milhões de seguidores em todo o mundo. Caso a seja mantido os níveis de crescimento dos últimos anos, estima-se que em 2025 44% dos cristãos serão evangélicos pentecostais, o que somará cerca de 1,1 bilhão de pessoas.


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O movimento pentecostal está prestes há completar 100 anos, por isso, cresce o numero de interessados no assunto, também por isso criamos este blog, um blog escrito por ccbeianos para ccbeianos, que abordará principalmente o centenário da Congregação Cristã no Brasil (CCB), mas que não se limitará a falar somente da CCB, visto que em 2011 a nossa igreja irmã , a Assembléia de Deus (AD), hoje o maior movimento pentecostal do mundo, também completará seu primeiro centenário.Todos são bem vindos a este blog, independente da igreja qual freqüentam, mas nos delimitaremos apenas a assuntos dos aspectos históricos e do pentecostalismo em si, não discutiremos aqui religião. .As Assembléias de Deus no Brasil que em 2011 completará 100 aninhos já há um bom tempo estão comemorando o seu primeiro centenário, inclusive, lançaram um bonito logotipo comemorativo.


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A Congregação Cristã no Brasil, que em 2010 completará o seu primeiro centenário, aparentemente não está comemorando a data com festejos, como antecipadamente faz a AD, o que certamente reafirma a postura da CCB em não se expor nas mídias, ou como disse o mestre em religão pela Mackenzie, Gloecir. Bianco: "uma igreja pentecostal invísivel" Penso comigo, embora negado pela instituição, que o lançamento do novo hinário, é uma tímida e discreta comemoração ao centenário. Esta “comemoração” é bem vinda, nos orgulhamos da nossa história.


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Certo é que com a chegada de 2010 e aproximação de 2011, anos em que chegaram ao Brasil Louis Francescon, Daniel Berg e Gunnar Vingren, respectivamente, começam a pipocar na imprensa informações relacionadas ao pentecostalismo brasileiro e inevitavelmente às denominações CCB e AD, que são as precursoras do movimento no Brasil. Este já pode blog ser citado como exemplo neste sentido, outro exemplo que podemos citar foi o congresso realizado pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP) em novembro do ano passado.


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Afinal quais as origens do pentecostalismo?


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O pentecostalismo também conhecido como “avivamento pentecostal”, é um movimento religioso que surgiu no inicio do século XX, entre pobres e imigrantes nas periferias dos Estados Unidos.


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Porque denominações como CCB e AD são classificadas como igrejas pentecostais”?


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É uma referência ao Batismo pelo Espírito Santo, descrito no livro de Atos capítulo 2, o termo “pentecostal” deriva de “pentecostes”, um termo grego utilizado que é utilizados para referir-se a festa judaica das semanas. Podemos afirmar que o pentecostalismo é um movimento cristão avivalista, que tem ênfase na santificação e no relacionamento pessoal entre Deus e o crente. Há historiadores que atribuem o surgimento do pentecostalismo a Montano, um cristão do ano 150, que lutou pela recaristimazação cristã, e isto fez porque os cristãos daquela época haviam abandonado a: glossolalia (falar em línguas), revelações, curas divinas e maravilhas.Charles Fox Parham e William Joseph Seymour; 1901 e 1906; Topeka (Kansas) e Los Angeles (Califórnia) são os precursores do pentecostalismo do século XX. Porém, muitos deixaram de relatar a contribuição de Parham devido a sua tendência racista simpática aos ideais da Ku Klux Klan, acusações de homossexualismo e doutrinas exclusivistas que afirmava que os anglo-saxões eram descendentes diretos das tribos perdidas de Israel após o exílio na Assíria.Seymour, negro e filho de escravos libertos, constantemente é exaltado de por sua atuação, mesmo em uma época de forte perseguição racial nos EUA, tornou-se bastante popular por causa do movimento avivalista da Azuza Street.Acredita-se que a rápida expansão do pentecostalismo esteja associada a fatores sócio-culturais, como divisões raciais e de classe. As igrejas pentecostais se tornaram um local onde os pobres manifestavam seu descontentamento com a pobreza e conflitos raciais, assim surgiu a “igreja dos deserdados”. Num período de três anos, muitos fiéis pentecostais transformaram-se em missionários que começavam a disseminar o pentecostalismo por todo os EUA, depois, Europa, Ásia, América Latina e África. Assim foi com Louis Francescon, Daniel Berg e Gunnar Vingren, que saíram de Los Angeles para trazer a mensagem pentecostal à América Latina, que na Argentina em 1909 culminou no surgimento da Assembléia Cristã, a primeira denominação pentecostal latino-americana, em 1910 no Brasil da Congregação Cristã e 1911, também no Brasil, da Assembléia de Deus.


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Quais são as principais características do pentecostalismo?


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Como já dissemos acima, o pentecostalismo prioriza o relacionamento do individuo com Deus e enfatiza a santificação e o Batismo pelo Espírito Santo. Outra característica peculiar a este grupo é o fato de se tratar de uma religião dinâmica, oral e resultante do testemunho de pessoas, que desde o inicio, tem valorizado mais a tradição oral do que a escrita. Por este fato, algumas denominações deixaram de registrar a própria história, permitindo que importantes personagens do pentecostalismo e denominações caíssem no esquecimento, por isso, tem muito trabalho aquele que se propõe a estudar o fenômeno pentecostal..Em linhas gerais, podemos dizer o pentecostalismo brasileiro tem raízes norte-americanas, que do movimento avivalista, conduzido por Charles Fox Parham (1873-1929) e William Joseph Seymour (1870-1922) no inicio do século XX (1906), permitiu que no ano de 1910 o italiano Louis Francescon e um grupo de irmãos em Santo Antonio da Platina (PR) dessem origem primeira igreja evangélica pentecostal brasileira à Congregação Cristã no Brasil, e em 1911 os suecos Daniel Berg e Gunnar Vingren em Belém do Pará dessem origem a Missão da Fé Apostólica, que sete anos depois adotou o nome de Assembléia de Deus no Brasil.
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Veja o mapa das religiões cristãs (Clique na imagem para ampliá-la)
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mapa historico0
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REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS
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CAMPOS, Leonildo Silveira. As origens norte-americanas do pentecostalismo brasileiro: observações de uma relação ainda pouco avaliada. Revista USP. São Paulo. 2005
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BIANCO, Gloecir. CCB no século XXI: Uma denominação pentecostal invísivel. Blog Religare-Religare. Curitiba. Setembro/2005.
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Pentecostalismo. Wikipedia
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sexta-feira, 3 de julho de 2009

Centenário da Congregação Cristã no Brasil

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A Congregação Cristã no Brasil, completará em junho de 2010, cem anos, e não há nenhum tipo de manifestação lembrando os membros desta data tão importante e que deveria ser comemorada.


O caro Ricardo Alexandre fez um excelente texto discorrendo sobre temas históricos e a relação que estes assuntos possue com o atual estado que a Congregação se encontra atualmente.


Um belo texto, que poderia chegar até o Conselho!
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Por Ricardo Alexandre


Congregação Cristã no Brasil é o letreiro que os mais belos templos do país ostentam em suas fachadas. Do interior destes templos ecoam os mais belos hinos de louvores e súplicas a Deus. Seus assentos acomodam um inúmero e maravilhoso povo que reunido EM NOME DO SENHOR JESUS adora o Deus que fez o céus e a terra. De cá homens com terno e gravata, de lá mulheres com véus nas cabeças. Após a exclamação: DEUS SEJA LOUVADO! segue um uníssono e sonoro AMÉM! Inicia-se mais um culto nessa igreja que está prestes a completar cem anos de sua história.


Ponto de partida. Aos doze de março de 1910, desembarcava em solo brasileiro, vindo dos Estados unidos, o imigrante italiano, Luigi Francescon. Este missionário ensinaria uma parte da nação falar numa ‘língua estranha’ que não tem tradução, mas tem poder e unção.

A pioneira.
A mensagem pentecostal (Jesus Salva, cura, batiza no Espírito Santo, e breve voltará), começou a ser disseminada em solo brasileiro na região sudeste pela Congregação Cristã no Brasil-CCB. Consecutivamente a Assembléia de Deus, um ano mais nova, a propagou pelo nordeste do país, em pouco tempo ambas estariam presentes em todo território nacional.



O número um. Felício Antônio Mascaro foi o primeiro irmão a ser batizado na Congregação em Santo Antônio da Platina no Estado do Paraná.
O crescimento. Explicar o crescimento inicial da CCB é desafio a qualquer teólogo, ou mesmo, sociólogo ou antropólogo. Como uma igreja que não evangeliza cresce tanto? Se o método tradicional e bíblico não foi usado, qual fator levou-a ser a maior denominação por décadas?


Obra do Espírito Santo. Os membros da CCB tem uma resposta na ponta da língua: “Foi obra do Espírito Santo”. E ao meu ver foi mesmo. A glossolalia (línguas estranhas) foi um atrativo para crentes de outras denominações. O derramamento dos dons foi abundante até meados de sua história, o que acontecia tanto nos encontros cultuais como nos casuais.


Uso e costumes. Os costumes usais da CCB são comuns a toda igreja pentecostal, já os litúrgicos são bem característicos contribuindo para sua identidade denominacional. São eles: o uso do véu, assentos separados, ósculo santo, orquestra, saudação típica, orar só de joelhos, clamores ou exclamações exaltando a Deus durante todo decorrer do culto, etc.


A igreja dos ‘glórias’. O modo peculiar de seus membros exaltarem e clamarem a Deus, fazia-se notável a todos que a visitavam, fazendo-os ficar conhecidos como ‘os glórias’ e consequentemente a Congregação por “igreja dos glórias”. Esse apelido, dado pelas outras denominações, revela como era dinâmica a liturgia dos cultos e o respeito que demonstravam pela CCB.


Estudo bíblico. Achou-se desnecessário uma vez que liderança e liderados eram igualmente de pouca escolaridade. Veio a mentalidade de que o estudo bíblico inibiria ou ‘mataria’ as “revelações” espirituais das quais eram providos. “A letra mata e o Espírito vivifica”, esta máxima (dito) desmotivou de vez a leitura sistemática da Bíblia causando um efeito colateral que beirou o obscurantismo1.


Que doutrina é esta? A irmandade (igreja) passou a viver mais dos ditos que dos versículos. Ideias como “quanto menos saber, mais Deus te usará” eram recebidos como verdades absolutas. Ao ser ensinado: “Aos crentes, a palavra de Deus, ensinada à Sua igreja, não é para ser discutida, e sim obedecida. Somente assim se honra o Senhor” (Ass. 1948), o povo deixa de exercer a capacidade de análise e julgamento recomendada pela bíblia (At 17:11; 1Co 14:29; Gl 1:8). Como não havia contestação, a cultura oral se fortaleceu sendo passada de geração para geração.


Deixando a primeira caridade. Não demorou para o idealismo2 aparecer. Narcisamente a CCB via-se superior às demais denominações considerando-as, pejorativamente, “seitas das teorias humanas”. Não queria ser comparada a nenhuma outra comunidade, eis por que negou suas origens declarando oficialmente: “Não somos pentecostais, e nada temos a ver com o movimento pentecostalista” (Tóp. 23 Ass. 1991).


Crise de identidade. A declaração gerou uma crise de identidade na igreja (Se não sou pentecostal, porque adorar e viver como um?), que desde então vem afetando seus costumes denominacionais e prejudicando a liturgia do culto, ou como dizem, a liberdade de dar glória e do Espírito Santo agir na igreja. Hoje sente-se ofendidos quando classificados como pentecostais (Top.22 Ass. 1988), não aceitam nehuma rotulação senão a por eles reivindicada.


Reivindicação. Desprezando a condição de uma igreja pertencente ao movimento pentecostal, num delírio a CCB faz uma reivindicação absurda, avocando para si o título de “Obra de Deus”, quando muda o título original do testemunho escrito da sua fundação de HISTÓRICO DE UMA RAMIFICAÇÃO NA OBRA DE DEUS para HISTÓRICO DA OBRA DE DEUS REVELADA PELO ESPÍRITO SANTO NO SÉCULO ATUAL (PASSADO). Tal fato não causou indignação na época e sim trouxe orgulho e exclusivismo, desde então seus membros passaram a considerá-la a “Verdadeira Graça”, usurpando título e honra do Senhor Jesus.


A lei abolida. Outra atitude mal explicada foi a retira do quadro “Constituição da Igreja de Deus”. Tínhamos uma constituição de uma lei só, que era o suficiente para guiar-nos em toda a verdade. Essa única lei tinha um único artigo: Jesus é a cabeça da igreja; e um único parágrafo que tratava da sua organização: A caridade de Deus no coração de seus membros.


A profecia. No mesmo quadro estava contida uma profecia: “Onde estes três não governam [Pai, Filho, Espírito Santo], é Satanás que governa, em forma de homem, para seduzir ‘o povo de Deus’ com sabedoria humana”.


A Paz (no reino) de Deus! Surpreendentemente as coisas caminhavam em perfeita harmonia. Salvo raríssimas exceções, não haviam contestações, a ideologia fora assimilada e os irmãos sentiam-se afortunados por pertencerem ao grupo dos ‘escolhidos’, então… Eis que ecoa um brado de reforma e surge um movimento reflexivo e questionador do posicionamento ideológico da CCB promovido pelos seus próprios membros.


Os membros se levantam. Valendo-se da Internet , uma ferramenta que nossos antecessores não dispunham, vários membros criam diversos sites, comunidades virtuais e blogs, fazendo da Internet uma verdadeira central de reclamações, e por meio desta ou mesmo por cartas pessoais, fazem chegar ao Brás (Sede CCB) uma enxurrada de criticas, sugestões, denúncias, apoio, elogios, etc. O movimento, confuso no início, vai aos poucos se organizando e definindo seus objetivos.
Literatura. Já outros publicam livros como Marcelo Ferreira autor de “Por trás do véu”. O conselho de anciães repudiou todas essas iniciativas chegando a ex-comungar o referido membro. Neste caso a CCB recriminou aquilo que deveria financiar – o registro de sua história.


Tocando na ferida. A atitude de expor a igreja na Internet mexe com o brio da CCB que odeia a mídia e tem pavor de ver seu nome estampado em qualquer veículo difusor de comunicação. É contra toda propaganda quer a favor ou contra.


Que faremos agora? Sempre se esperou críticas de terceiros contra a congregação, mas o inédito levante dos próprios membros surpreendeu o conselho de anciães. O veículo da irmandade é a Internet, o veículo do conselho de anciães são os tópicos de ensinamentos, por estes tentou-se intimidar o movimento, mas desta vez, “a palavra de Deus ensinada nas congregações” foi discutida e não obedecida. Restou ao ministério ignorar a opinião dos pensadores.


Site oficial. Na verdade não passa de uma nota de esclarecimento que não esclarece coisa alguma. Foi o último ato antes de dar as costas em definitivo ao movimento. Um site oficial com relatório virtual é uma cobrança de toda irmandade.


A crise no Brás. Acusações pesam sobre o atual presidente nacional, que ao invés de se pronunciar publicamente à toda igreja; manobra nos bastidores. Estas acusações tornaram-se públicas fazendo vir à tona o corporativismo e o autoritarismo reinantes no Conselho, evidenciados no MANIFESTO PRÓ-COURI; a CCB tem agora uma certidão atestando sua corrupção.


“Porque já é tempo que comece o julgamento pela casa de Deus” (1Pe 4:17a).


Consequências. A indiferença do “santo ministério mais idôneo” pela opinião da irmandade, a falta de maturidade espiritual para enfrentar os problemas emergentes, a sonegação de informação, geram insatisfação, revolta e dissensões no grupo. Alguns cismas já ocorreram na sua história, o mais recente resultou na fundação da Congregação Cristã Apostólica – CCA. Poderemos estar na iminência de um acontecimento sem precedentes, caso a política continue sendo a resistência e não o diálogo.


“Como nos assentamos à mesa do Senhor para partilharmos da mesma comunhão;
Assentemos à mesa do entendimento para partilharmos da mesma opinião.”

Luz no fim do túnel.
Felizmente muitos têm deixado o idealismo, renunciado a cultura oral, e recorrido à leitura da Bíblia – a infalível e soberana Palavra de Deus – e por esta se guiado.



Voltando a primeira caridade. A CCB necessita ser avivada no Espírito Santo. Podemos entender avivamento como sendo o retorno às origens que caracterizavam a igreja primitiva, primando os dons espirituais e o falar em línguas, mas para tanto, precisa reconhecer seus erros, humilhar-se e então suplicar a intervenção divina.
“Tenho, porém, contra ti que deixaste a tua primeira caridade. Lembre-te pois donde caíste, e arrepende-te, e pratica as primeiras obras” (Ap 2:4,5).


O centenário é momento para reflexão: A igreja que somos é a igreja que deveríamos ser? Levamos a mesma mensagem que o missionário trouxe há cem anos? Temos sido fiéis a esse legado?


O centenário é momento para oração: Devemos nos humilhar, pedir perdão e clamar por avivamento espiritual.


O centenário é momento para gratidão: Apesar de tudo, chegamos até aqui e somos uma grande família, temos uma estrutura gigantesca e somos modelo em várias áreas; Deus tem sido conosco, seus conselhos não tem faltado, e suas promessas hão de cumprir. Portanto, façamos festa, e celebremos a esperança do consenso e da união, para a edificação do corpo de Cristo.


Resumo: A CCB teve um período glorioso, porém a falta de estudo comedido das escrituras sagradas repercutiu em erros hermenêuticos grosseiros, ao menosprezar a letra a palavra ganha força e uma cultura oral se instala, a irmandade deixa a doutrina dos versículos, e assimila a ideologia dos ditos. Essa ideologia nos leva ao obscurantismo que nos afasta da bíblia e ao idealismo que nos afasta das outras igrejas. A CCB passa julgar-se a única igreja verdadeira e renuncia o legado pentecostal.


Uma nova fase começa quando seus membros começam a questionar a liderança que é ineficiente ao replicar-lhes, passando então, a ignorá-los.
Conclusão: A falta de estudo é a origem de todos os desvios da CCB. Voltar-se à Bíblia, como a infalível palavra de Deus, é que restituirá a nossa primeira caridade. Muito se gabou por não ter conhecimento temendo que este mataria o Espírito; ironicamente, um movimento intelectual é que pode agora restaurar-nos a espiritualidade.


“Jesus, respondendo, disse-lhes: Errais não conhecendo as Escrituras, nem o poder de Deus” (Mt 22:29).


“O meu povo foi destruído por que lhe faltou conhecimento. Porque tu rejeitaste o conhecimento também te rejeitei” (Os 4:6a).


“Conheçamos, e prosseguimos em conhecer ao Senhor; e Ele a nós virá como a chuva serôdia que rega a terra” (OS 6:3).


“A Tua palavra é a verdade” (Jo 17;17); “E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará”. (Jo 8:32).
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1 obscurantismo: 1.Estado de completa ignorância 2. Oposição sistemática a todo o processo intelectual ou material 3. Sociol. Atitude ou política contrária à difusão e transmissão de conhecimento, especialmente entre as massas.
2 idealismo: Filos. Sistema que admite como certas somente suas ideias; vê perfeição no que cria ou no que segue.
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terça-feira, 23 de junho de 2009

O CENTENÁRIO DO MOVIMENTO PENTECOSTAL

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Texto de: ALDERI SOUZA DE MATOS
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A partir de Los Angeles, e especialmente de Chicago, o pentecostalismo rapidamente se irradiou para vários outros países. O movimento entrou cedo na América Latina, primeiro no Chile (1909) e logo em seguida no Brasil (1910). No início o crescimento nesses e em outros países foi lento, mas se intensificou a partir da década de 50. Desde os anos 70, o pentecostalismo também se expandiu na América Central, especialmente na Guatemala e El Salvador, onde representa respectivamente 30% e 20% da população. No Chile, cerca de 80% dos protestantes são pentecostais. Nesse país, o pentecostalismo marcou a nacionalização do protestantismo. São muitas as razões da expansão pentecostal na América Latina: as vicissitudes históricas da obra evangelística e pastoral católica, o limitado trabalho das denominações protestantes, o misticismo das culturas ibero-americanas, os graves problemas econômicos, políticos e sociais.
A primeira manifestação de entusiasmo religioso no protestantismo brasileiro é atribuída por Émile Léonard ao movimento liderado por Miguel Vieira Ferreira (1837-1895).22 Esse engenheiro, presbítero e pregador leigo da Igreja Presbiteriana do Rio de Janeiro, membro de uma família aristocrática de São Luís do Maranhão, acreditava que Deus ainda se revelava diretamente às pessoas, como nos tempos bíblicos. Dotado de um temperamento místico, certa vez teve uma espécie de transe, ficando totalmente imóvel por longo período de tempo. Disciplinado pela igreja por insistir nas suas idéias, o Dr. Miguel retirou-se com um grupo de crentes, a maior parte parentes seus, e criou a Igreja Evangélica Brasileira (1879), que subsiste até hoje. Todavia, esse grupo é diferente em vários aspectos do movimento pentecostal surgido
algumas décadas mais tarde. O sociólogo Paul Freston fala sobre “três ondas” ou fases de implantação do pentecostalismo no Brasil.24 A primeira onda, ainda nos primeiros anos do movimento pentecostal norte-americano, trouxe para o país duas igrejas: a Congregação Cristã no Brasil (1910) e as Assembléias de Deus (1911). Essas igrejas dominaram amplamente o campo pentecostal durante quarenta anos. A Assembléia de Deus foi a que mais se expandiu, tanto numérica quanto geograficamente. A Congregação Cristã, após um período em que ficou limitada
à comunidade italiana, sentiu a necessidade de assegurar sua sobrevivência por meio do trabalho entre os brasileiros. É interessante o fato de que, quando chegaram os primeiros pentecostais, todas as denominações históricas já haviam se implantado no país: anglicanos, luteranos, congregacionais, presbiterianos, metodistas, batistas e episcopais. Todavia, o seu crescimento havia sido modesto.
Em 1931, fazendo um levantamento sobre o protestantismo nacional, Erasmo Braga ironicamente dedicou apenas umas poucas linhas à Assembléia de Deus e nem se referiu à Congregação Cristã no Brasil. A segunda onda pentecostal ocorreu na década de 50 e início dos anos 60, quando houve uma fragmentação do campo pentecostal e surgiram, entre muitos outros, três grandes grupos ainda ligados ao pentecostalismo clássico: Igreja do Evangelho Quadrangular (1951), Igreja Evangélica Pentecostal O Brasil para Cristo (1955) e Igreja Pentecostal Deus é Amor (1962), todas voltadas de modo especial para a cura divina. Essa segunda onda coincidiu com o aumento do processo de urbanização do país e o crescimento acelerado das grandes cidades. Freston argumenta que o estopim dessa nova fase foi a chegada da Igreja Quadrangular com os seus métodos arrojados, forjados no berço dos modernos meios de comunicação de massa, a Califórnia. Esse período revela uma tendência digna de nota – a crescente nacionalização do pentecostalismo brasileiro. Enquanto que a Igreja Quadrangular ainda veio dos Estados Unidos, as outras duas surgidas na mesma época tiveram raízes
integralmente brasileiras.
A terceira onda histórica do pentecostalismo brasileiro começou no final dos anos 70 e ganhou força na década de 80, com o surgimento das igrejas denominadas “neopentecostais”, com sua forte ênfase na teologia da prosperidade.
Sua representante máxima é a Igreja Universal do Reino de Deus (1977), mas existem outros grupos significativos como a Igreja Internacional da Graça de Deus (1980), Igreja Renascer em Cristo, Comunidade Sara Nossa Terra, Igreja Paz e Vida, Comunidades Evangélicas e muitas outras. Assim como a ênfase da primeira onda foi o batismo com o Espírito Santo e o conseqüente falar em línguas, a da segunda onda foi a cura e a da terceira, o exorcismo e a mensagem da prosperidade. Uma importante precursora dos grupos neopentecostais foi a Igreja de Nova Vida, fundada pelo canadense “bispo” Robert McAllister, que rompeu com a Assembléia de Deus em 1960. Essa igreja foi pioneira de um pentecostalismo de classe média, menos legalista, e investiu muito na mídia. Foi também a primeira igreja pentecostal a adotar o episcopado no Brasil. Sua
maior contribuição foi o treinamento de futuros líderes como Edir Macedo e seu cunhado Romildo R. Soares.
Outros grupos pentecostais e neopentecostais brasileiros resultaram da chamada “renovação carismática”. Esse movimento surgiu nos Estados Unidos no início dos anos 60, com a ocorrência de fenômenos pentecostais nas igrejas protestantes históricas e também na Igreja Católica Romana.28 No Brasil, a “renovação” produziu divisões em quase todas as denominações mais antigas, com o surgimento de grupos como a Igreja Batista Nacional, a Igreja Metodista Wesleyana e a Igreja Presbiteriana Renovada. Essa adoção de crenças e práticas carismáticas, principalmente na área do culto, continua afetando em maior ou menor grau as denominações tradicionais até hoje. A esta altura, é oportuno considerar alguns representantes significativos do pentecostalismo brasileiro.
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CONGREGAÇÃO CRISTÃ NO BRASIL
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As duas igrejas pioneiras do pentecostalismo brasileiro tiveram sua origemem Chicago, através do ministério de William H. Durham (1873-1912), que fundou em 1907 a Missão da Avenida Norte (North Avenue Mission). Um dos seus discípulos foi o italiano Luigi Francescon (1866-1964), que havia emigrado para os Estados Unidos em 1890. Em Chicago, ele se converteu ao evangelho e foi um dos fundadores da Igreja Presbiteriana Italiana daquela cidade. Em 1903, foi batizado por imersão e passou a reunir-se com um grupo holiness, até descobrir a mensagem pentecostal na igreja do pastor Durham.
Foi batizado com o Espírito Santo em 1907 e recebeu uma profecia de Durham para que levasse a mensagem pentecostal aos seus patrícios. Em 1909 ele e Giacomo Lombardi foram a Buenos Aires, onde abriram uma igreja. No início do ano seguinte, Francescon visitou São Paulo e a pequena Santo Antônio da Platina, no Paraná. Numa segunda visita à capital paulista, em junho de 1910, ele criou a Congregação Cristã, que resultou em parte de um cisma na Igreja Presbiteriana do Brás, constituída em boa parte de italianos. O fundador nunca chegou a residir no Brasil, mas fez onze visitas entre 1910 e 1948, totalizando uma estada de quase dez anos.
Em 1930, a Congregação Cristã tinha sete membros para cada três da Assembléia de Deus; todavia, em fins dos anos 40 foi ultrapassada pela sua rival.
No ano 2000, de acordo com o censo oficial, ela estava com pouco menos de um terço dos membros da Assembléia de Deus, ou seja, cerca de 2,8 milhões de adeptos. A Congregação Cristã tem a maior parte dos seus templos em São Paulo e em cidades do interior de outros estados. Entre as suas peculiaridades está a rejeição dos modernos métodos de divulgação, restringindo a pregação da sua mensagem aos locais de culto. Possui fortes elementos sectários, não se considerando uma igreja protestante e não mantendo ligações com outros grupos.
Seu ethos caracteriza-se por um rígido dualismo igreja-mundo e espírito-matéria, e, no entanto, não pratica o legalismo de outros pentecostais.
Destaca-se pelo “iluminismo” religioso, apelando para revelações diretas de Deus no que diz respeito às mensagens nos cultos e a decisões tomadas pela liderança. Suas reuniões, bastante ordeiras em comparação com as de outros grupos pentecostais, dão forte ênfase aos “testemunhos”. A igreja pratica uma forte cultura de ajuda mútua, denominada “obra de piedade”. No plano administrativo, rejeita o excesso de organização, tem uma burocracia mínima,
e não conta com pastores, e sim com anciãos não-remunerados. A liderança é baseada na antiguidade mais do que no carisma ou competência. Seus líderes são praticamente anônimos e essa ausência de personalismo resulta numa tendência mínima para cismas e ambições políticas. A homogeneidade interna do grupo é fortalecida pelo constante contato entre os crentes de diferentes cidades e por uma convenção anual realizada no Brás, na Semana Santa. Com as suas características inusitadas, a Congregação Cristã no Brasil exemplifica o dinamismo e a diversidade do movimento pentecostal.
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ASSEMBLÉIA DE DEUS
Essa igreja, que veio a se tornar a maior denominação pentecostal e evangélica do Brasil, bem como uma das maiores do mundo, também teve as suas raízes em Chicago, a cidade norte-Americana onde o pentecostalismo mais cresceu nos primeiros tempos e na qual 75% da População era constituída de imigrantes ou filhos de imigrantes. Entre estes estavam dois suecos de origem batista: Gunnar Vingren (1879-1933) e Daniel Berg (1885-1963). Vingren, filho de um jardineiro, foi para os Estados Unidos em 1903 e estudou no seminário da igreja batista sueca em Chicago. Em seguida, pastoreou algumas igrejas e abraçou o pentecostalismo, época em que conheceu o colega Daniel Berg.
Este era filho de um líder batista e também havia emigrado para os Estados Unidos. Retornando ao seu país em 1908, descobriu que um amigo de infância, Levi Pethrus, havia se tornado Pentecostal. Ele seria posteriormente o líder do pentecostalismo sueco. Influenciado por Pethrus, Berg abraçou a fé pentecostal quanto retornava para os Estados Unidos em 1909. Conhecendo Vingren, os dois se uniram pelo ideal missionário. Enquanto oravam com um patrício, este
profetizou que deveriam ir para um lugar chamado Pará. Os dois obreiros fixaram-se em 1911 em Belém do Pará, onde passaram a freqüentar a igreja batista, cujo pastor, Erik Nilsson ou Eurico Nelson, também era sueco. Alguns meses depois, a mensagem pentecostal de Vingren e Berg produziu uma divisão na igreja, surgindo assim o primeiro grupo da nova denominação,
que inicialmente foi chamado “Missão de Fé Apostólica”, um dos nomes dos primeiros grupos pentecostais dos Estados Unidos. Só alguns anos mais tarde foi adotado o nome Assembléia de Deus. A partir de 1914, outros missionários suecos começaram a chegar para auxiliar os pioneiros. O auge da presença sueca na Assembléia de Deus ocorreu nos anos 30 e praticamente
cessou após 1950. O ano de 1930 foi muito significativo, porque marcou a nacionalização do trabalho. Na primeira Convenção Geral, realizada em Natal, com a presença de 11 suecos e 23 líderes brasileiros, a igreja adquiriu autonomia em relação à missão sueca, que lhe transferiu todas as propriedades.
Houve também a virtual transferência da sede nacional de Belém para o Rio de Janeiro. Mais tarde surgiu uma ligação mais estreita com os Estados Unidos, cujos missionários têm exercido influência na área da educação teológica.
Analisando essa trajetória, Paul Freston observa que os missionários suecos, que tanta influência tiveram nos primeiros quarenta anos da Assembléia de Deus no Brasil, vieram de um país religiosa, social e culturalmente homogêneo, no qual eram marginalizados. Como membros de uma minoria desprivilegiada, eles tinham poucos recursos financeiros e rejeitavam a ênfase no aprendizado formal, fatores esses que influenciaram a igreja brasileira. Assim, as Assembléias de Deus, bem como outros grupos pentecostais pioneiros, não estabeleceram as relações de dependência que caracterizaram as missões históricas. Nos primeiros quinze anos, a expansão da igreja limitou-se ao norte e nordeste. Todavia, na época da nacionalização, em 1930, já estava presente em vinte estados, contando com cerca de 40.000 congregados. Quanto às peculiaridades da igreja, Freston aponta para o seu sistema de governo “oligárquico e caudilhesco”, que seria fruto da influência cultural nordestina.32 Exemplo disso são os diferentes “ministérios”, nem sempre amistosos entre si, e a grande autoridade exercida pelo “pastor presidente”, verdadeiro bispo de uma cidade ou região, sendo essa posição geralmente atingida
após uma lenta ascensão. Nas últimas décadas têm ocorrido crises resultantes desse modelo de liderança, do fenômeno da ascensão social dos adeptos e da concorrência com novos grupos pentecostais. A maior crise enfrentada pela igreja foi o cisma que deu origem à Convenção Nacional das Assembléias de Deus de Madureira. Esse ministério havia sido fundado pelo gaúcho Paulo Macalão, filho de um general, que entrou em conflito com os missionários suecos, críticos do seu rigor legalista. Consagrado pastor por Levi Pethrus em 1930, ele se tornou independente e passou a abrir trabalhos em vários estados.
As tensões crescentes após sua morte (1982) levaram à exclusão de Madureira pela Convenção Geral (1989), que assim deixou de representar cerca de um terço da Assembléia de Deus no Brasil.
Ao contrário da Congregação Cristã, que não tem literatura própria, a Assembléia de Deus publica desde 1930 um periódico oficial, Mensageiro da Paz, e possui uma editora de grande expressão. A igreja enfrenta forte tensão entre manter a tradição conservadora e populista e aceitar novos valores como a ênfase no aprimoramento intelectual. Freston destaca que a formação cultural ultrapassada faz com que os líderes “percam terreno para grupos pentecostais
mais novos, com menos tradições arraigadas para dificultar sua adaptação à moderna cultura urbana brasileira”.33 Ainda assim, a Assembléia de Deus é um fenômeno impressionante, com os seus mais de 8 milhões de afiliados (quase metade de todos os pentecostais brasileiros), muito mais numerosos que os da congênere americana, com 2 milhões.34 Com o passar do tempo, essa igreja vem se tornando mais parecida com as outras denominações evangélicas, revelando maior sobriedade no seu culto e uma preocupação crescente com a preparação intelectual e teológica dos seus obreiros.
FONTE
http://www4.mackenzie.br/fileadmin/Mantenedora/CPAJ/revista/VOLUME_XI__2006__2/Alderi.pdf
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NOTA DO EDITOR DO BLOG: Só temos a agradecer a Alderi Souza Matos que tem feito o resgistro da nossa História com imparcialidade e fidelidade, imagino o quanto é dificil fazer um texto dessa qualidade sem a colaboração da CCB, que não registra a própria história. Deus abençoe!
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