terça-feira, 17 de janeiro de 2017

O cristão ideal

2 comentários
O dicionário define modelo como: "coisa ou pessoa que serve de exemplo ou padrão a ser imitado"

A ciência recorre constantemente a modelos para compreender, explicar e também reproduzir fenômenos que ocorrem na natureza. São diversas as razões para a ciência lançar mão desse recurso, alguns deles:

  • Representar algo perfeito que poderia existir, mas não existe.
  •  Aproximar algo real  a uma condição ideal.
  • Simplificar explicações de coisas ou teorias complexas.

Na química, por exemplo, a Teoria do Gás Ideal (ou Gás Perfeito), é algo que na realidade não existe, mas foi criado para facilitar o estudo do comportamento dos gases quando submetidos a determinadas condições de temperatura e pressão. Apesar do gás perfeito/ideal não existir, ele permite estudar outros gases, que desenvolvem um comportamento aproximado da condição ideal.

No cristianismo, o modelo perfeito/ideal a ser seguido pelos cristãos existe e é real, ele é Jesus Cristo, o Filho de Deus, o nosso sumo pastor (Hebreus 4:14). E aqui o modelo de perfeição funciona exatamente como na ciência, pois, não importa o quanto homem se esforce, ele jamais alcançará a excelência de Jesus, mas pode e deve tentar chega mais perto possível da condição ideal.

Deus é justo, sonda as mentes e corações (Salmos 7:9), portanto, Ele conhece plenamente a natureza, a capacidade e também a limitação do homem, e vai muito além, pois, ele conhece a cada um de nós, por isso, reconhece e valoriza todo o nosso esforço, por menor que seja, mas praticado com sinceridade no sentido de agradá-lo e tentar nos aproximar do modelo perfeito que é Jesus, tomemos o exemplo oferta da viúva pobre, uma pequena oferta, um grande ato devido a sinceridade. E é o próprio Deus, por graça, que nos aperfeiçoa e fortalece (1° Pedro 5:10) durante a nossa jornada, Jesus, também por graça, nos justifica por nossas imperfeições e supre nossas deficiências.

E para saber sobre Aquele que é o modelo a ser imitado (1° Coríntios 11:1), inevitavelmente, temos que examinar a Bíblia, pois, é ela que fala Dele (João 5:39), não por acaso, a Bíblia, que é a Palavra de Deus (2° Timóteo 3:16-17), também é a regra de fé e conduta dos que servem a Deus. Erramos feio quando não nos aplicamos em conhecer as Sagradas Escrituras, pois, é isto que nos faz errar e não nos permite enxergar o quão longe estamos do querer de Deus e do modelo perfeito, que é Jesus.  

E quando aprendermos sobre Jesus ouvindo o que falam sobre Ele, temos o dever de verificar se o que é dito procede, pois, existem os falsos mestres (1° João 4:1), por este motivo o apóstolo Paulo recomendou a congregação que examinasse as coisas que ele dizia  (1° Coríntios 10:15). Não se pode esquecer que quando um cego conduz outro cego ambos podem cair no abismo (Lucas 6:39).

Ao recorrermos a Bíblia para aprender sobre a pessoa de Jesus, descobrimos que o seu AMOR não tem fim, sem sermos merecedor deu sua vida por nós (1° Pedro 2:24), amou e nos ensinou a amar os nossos inimigos (Mateus 5:43), mostrou uma enorme capacidade de PERDOAR, mesmo quando foi torturado, humilhado, ofendido e morto (Lucas 23:34), perdoou até mesmo aquele que o abandonou (Lucas 22:60). Aprendemos também sobre BONDADE e COMPAIXÃO, principalmente, para com os pobres, oprimidos e pecadores (João 8:11), muitos foram curados; aprendemos a ser bondosos sem qualquer tipo de discriminação (Lucas 10, 25:37), no episódio da morte de Lazaro, aprendemos a sermos solidários  com o sofrimento alheio. Jesus sempre foi COERENTE, praticava aquilo que pregava, em tudo procurou agradar a Deus. Ele também é INTELIGENTE, sempre pensou antes de agir, por isso, sempre respondeu com sabedoria. Em tudo foi HUMILDE e ao invés de ser servido mostrou a importância de servir (João 13:4). Tudo o que fez foi sem segundas intenções, em OBEDIÊNCIA a Deus (Hebreus 2:10).

Os homens são imperfeitos, por isso, não sevem de modelo para outros homens, conforme está escrito: não há um justo sequer na face da Terra (Romanos 3:10), todos pecamos (1° João 1:10). Lógico que enxergamos noutras pessoas qualidades cristãs que podem e devem ser imitadas, mas não nos esqueçamos que o único modelo perfeito é só Jesus, lembre-se que até mesmo os apóstolos, que estavam juntos Jesus, eram imperfeitos e reconheciam isto (Filipenses 3:12).

Constantemente homens e mulheres ignoram Jesus como sendo o modelo perfeito e depositam a sua fé e confiança em homens que são tão falhos quanto eles, também se esquecem que o único caminho que leva a Deus é Jesus Cristo (1° Timóteo 2:5), também depositam a confiança em instituições, se esquecem que a igreja somos nós (1° Coríntios 10:17) e os prédios/denominações são apenas os espaços onde a verdadeira igreja (nós) se reúne para juntos louvar e adorar a Deus, e que por serem criadas e geridas pelo homem, ela é da mesma forma sujeita a erros,  por isso, quando se deparam com os erros dos homens, principalmente daqueles que estão a frente das instituições, se decepcionam de tal modo que se rebelam contra a fé, se afastam da igreja (templos) e/ou mantém uma espiritualidade particular sem interação social ou com instituições.

Se nos esforçássemos para de fato amar ao próximo, reconhecêssemos que cada um de nós somos míseros pecadores, que por mais que nos esforcemos nunca seremos perfeitos, como é Jesus, talvez, julgaríamos menos os nossos irmãos, ou julgaríamos com menos rigor, agiríamos com bondade e compaixão para com todos, condenando menos e perdoando mais, consequentemente, nossos atos não seriam desmentidos por nossas atitudes, seríamos mais humildes, trataríamos todas as situações com mais inteligência e não seríamos tão impulsivos.

Enfim, nos decepcionaríamos menos com os homens e não nos afastaríamos da igreja (templo) e da fé por motivos errados, ou seja, adotar modelos sabidamente imperfeitos (homens) em detrimento do modelo perfeito (Jesus).

2 comentários:

HP disse...

Mário, penso que “o cristão ideal” deveria ser aquele em processo contínuo de metanóia, meditando de forma contínua nos seus atos e dando razão a Cristo, clamando ao Espírito Santo que o modifique à imagem de Cristo dia-a-dia.

Porém se olharmos para nós, veremos que nem disto somos capazes, pois não vivemos em maneira contínua meditando em nossos atos. Aliás, muitos deles são mecânicos e só diante das topadas da vida que nos damos conta quão equivocados temos sido.

Somos necessitados de Cristo e quem assim tem convicção, se sabe necessitado de irmãos de caminhada. Por isto se existem pessoas que dizem ter fé, mas ao verem erros das instituições, se afastam do convívio de todos e praticam uma “Espiritualidade Particular sem Interação Social” como você mencionou, na verdade esta pessoa nada compreendeu de Cristo, que mesmo sendo Deus encarnado, nos ensinou que o servir a Deus é servir ao próximo com os dons que o Espírito Santo nos dá.

Todavia, percebi que no final do teu texto, houve uma certa defesa as instituições, as quais no último ano tenho meditado muito a respeito. Há instituições lideradas por pessoas que se reconhecem como imperfeitas, tão pecadoras quanto aos membros que a frequentam e tão necessitadas de Cristo quanto as pessoas que a frequentam. Não vejo motivo de se afastar de grupos assim. Porém temos que sempre perceber se não estamos nos tornando uma “panelinha” com o nosso “servir a Deus” ser totalmente condicionado ao “se reunir com aquele grupo nos eventos daquela instituição”.

Entretanto tenho notado que instituições assim sadias são raras. Não é difícil ver líderes que acabam por se esquecerem pecadores e necessitados da misericórdia de Deus tanto quanto os membros que frequentam as instituições lideradas por eles. O mesmo também acontece quando a instituição se torna uma “panelinha” aonde os membros vivem para participar dos eventos apenas e nada mais.

Desde que me desfiliei da CCB, tenho procurado manter comunhão com pessoas, tanto da CCB, quanto de denominações evangélicas locais. Tenho frequentado cultos dominicais de duas denominações independentes. Não me sinto membro de nenhuma denominação (apesar de eles me considerarem membros e também ter ajudado financeiramente com algum recurso ambas). Quando tenho tido oportunidade, tenho pregado a Cristo aos irmãos, exortando-os a seguirem apenas ao Senhor, principalmente quando tenho notado que muitos se desviam para fábulas (algumas baseadas nas escrituras) que nada tem a ver com o que o Senhor Jesus ensinava.

Assim, entendo que se a instituição é liderada por pessoas sadias e o ensino do Senhor Jesus é o foco, não há o porquê se ausentar das reuniões. Porém quando isto não ocorre e a agenda denominacional se torna mais importante do que as pessoas, algo está errado e não vejo o porquê de não se ausentar.

Um grande abraço
Em Cristo.
Henrique

Mario disse...

Exatamente Henrique!

Quando estava na antiga igreja e via coisas equivocadas, tanto por parte dos membros quanto do ministério, eu não me espantava porque tinha consciência que todos somos errantes, mas tinha na minha mente e coração que não poderia me conformar com a situação e nem igualar, por mais difícil que fosse, eu tinha que me esforçar para fazer diferente.

Alguns erros eu cometia e tinha consciência disso, tanto que eles constantemente sempre estavam em minhas orações, nos pedidos de perdão por atos, ações e omissões... E aí que se revelava a dependência que temos de Cristo, tanto para nos aperfeiçoar, quanto misericórdia para perdoar.

Reconheço a importância das instituições, mas não as defendo, e tenho consciência que administradas por homens os erros sempre ocorrem/ocorrerão, alguns evidentes, outros encobertos.

Algumas instituições são sadias conhecem suas fraquezas, já outras infelizmente são doentes e tem convicção de que jamais erram, e é aí que reside o perigo, pois, uma decepção com uma instituição/lider dessa igreja pode fazer com que as pessoas se rebelem contra Deus, quando na verdade o problema é o homem.

Concordo que vale a pena estar junto quando a coisa é sadia, e apartar quando não.

Grande abraço,

Mario

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