quinta-feira, 31 de março de 2016

A prisão sem muros

5 comentários
Nem toda prisão tem muros!

Nos últimos anos tenho tido contato com muitas pessoas que estão desapontadas com sua igreja em alguns aspectos, mas não conseguem deixá-la para congregar noutra denominação. Diversos são os motivos para continuar, as alegações mais comum são: 
  • Nasci e cresci dentro desta igreja; 
  • Toda a minha família pertence a esta igreja;
  • Meus amigos estão todos nesta igreja;
  • Tenho cargo/ministério na igreja;
  • Será que consigo me adaptar em outra igreja?
  • Será que serei feliz em outra igreja?
Não raramente, quando os desapontados começam a criticar erros doutrinários ou condutas de ministros, logo alguém diz coisas do tipo:

  • Todas as instituições possuem suas regras;
  • Ninguém é obrigado a permanecer;
  • Os incomodados que se mudem!
Eu mesmo já fui um desses que não concordando com algumas atitudes e doutrinas estranhas procurei respostas diretamente nas Sagradas Escrituras, que deve ser e regra de fé e conduta dos cristãos, e eu me desapontei ainda mais com a minha igreja na época, pois, a Bíblia possui verdades que são libertadoras.

Na época em que descobri que embora minha igreja tivesse muitas qualidades ela não era perfeita, também vi que outras igrejas que não tinham os mesmos defeitos possuíam outros defeitos, e logo cheguei a conclusão de que não existem igrejas perfeitas, existem igrejas maduras, e que as igrejas são instituições fundadas e geridas pelo homem, e sendo o homem imperfeito seria impossível que a sua instituição e criação fosse perfeita e justa.

Decidi permanecer na igreja, mas consciente da minha condição de miserável pecador, tão imperfeito quanto minha própria igreja, procurei aplicar em mim as mudanças que esperava ver na igreja, eu tinha a utopia de pelo exemplo provocar algum tipo de transformação, continuei obediente e respeitoso aos ministros e a instituição, nem questionamentos cheguei a fazer, nem mesmo quando minha alma perdia a paz ao ver vez ou outra uma heresia sendo pregada de cima do púlpito e a igreja vibrando em êxtase. 

Mas chegou o dia em que comecei achar que os muitos anos naquele lugar, os muitos amigos que eu tinha ali e ter que honrar meu cargo não eram motivos suficientes para eu permanecer naquela igreja, pois, eu estava numa igreja que tinha linhagem de pregação meramente profética e aquilo não alimentava minha alma e nem edificava meu espirito, minha alma tinha fome e não se alimentava.  Então, decidi conhecer outras denominações, em todas elas fui muito bem acolhido, e a primeira surpresa que tive, logo na primeira visita que fiz a outra denominação evangélica, foi ver que mentiram pra mim, e que Deus age e fala sim com seus filhos em outra denominação, outrora tinham me ensinado que "pão quentinho" na guia do Espírito Santo era servido só naquela denominação, e que nas outras denominações com suas teologias de seminário só serviam pão requentado.

O meu processo de transição levou quase dois anos, e não foi nada fácil, usei todos os argumentos que listei acima no inicio desta postagem e outros mais, fiquei com os pés em duas canoas neste período, ia aos cultos de outra denominação que alimentava minha alma e edificava meu espírito nos sábados a noite, e frequentava os cultos matinais nos domingos pela manhã para cumprir as formalidades do cargo que eu possuía na minha antiga igreja. Até que tomei uma decisão e decidi ficar de vez onde eu tinha paz de espírito e não me indignava com pregações sem respaldo bíblico.

Parece ser verdade os argumentos de que ninguém é obrigado a ficar numa denominação em que discorde dela ou não se sinta bem, por isso, os incomodados é que se mudem. Mas não é bem assim, muitos não conseguem deixar a denominação e servir a Deus em outro lugar porque as heresias ensinadas por elas são uma espécie de prisão de sem muros.

Assim como pelos motivos errados eu um dia permaneci num lugar que não me agregava nada, ainda vejo pessoas vivendo a mesma experiência, eis os motivos que fazem com que elas fiquem:
  • Muitos dos inconformados permanecem na igreja da qual discordam porque ela mesmo ao invés de ensinar que a fé em Jesus é suficiente para salvar o crente, ensinou que o seu batismo é que salva e que somente ela é o caminho estreito que ao céu conduz.
  • Muitos inconformados permanecem na instituição que agora criticam porque ela mesmo ao invés de ensinar que a graça de Deus nos basta e que isto nada tem haver com igrejas, a instituição se intitulou e autoproclama como sendo a própria graça. 
  • Muitos dos inconformados permanecem na igreja qual não mais gostariam de estar, porque ao invés de serem ensinados a se relacionar diretamente com Deus e que não conquistamos a salvação por nosso esforço ou mérito, foram condicionados a substituir esse relacionamento íntimo com Deus por um conjunto de regras que a própria igreja criou e que apenas ela segue, por isso, no início a pessoa se sente um peixe fora do aquário em outra igreja.
É muito simples mandar os incomodados se mudarem, mas não é algo tão fácil para os inconformados mudarem, afinal, as heresias são muito danosas em termos espirituais e psicológicos, mesmo diante da libertadora verdade bíblica é difícil se desvencilhar de algumas crenças, afinal, durante anos você foi doutrinado que muitos se perderam no caminho por estudar a Bíblia, pois, a letra os matou, e também que somente o que é dito no púlpito daquela igreja é integralmente revelado por Deus, e que questionar a pregação ou pregador é o equivalente a  blasfemar contra o Espírito Santo. E quem é que quer contrariar a Deus?

Escrever este relato não significa que eu não seja capaz de reconhecer as qualidades da denominação qual já frequentei e deixei, nem que esqueci as coisas maravilhosas que vivi ali, e nem que não aprendi boas coisas que produzem frutos até hoje, e muito menos que acho que a igreja qual frequento hoje seja superior a ela... Escrever estas coisas significa apenas que amadureci, que avaliei tudo o que ali ouvi, mas retive apenas o que era bom, que fiz e hoje continuo fazendo isso.

Fraterno abraço!

Mario

5 comentários:

HP disse...

Meu irmão e amigo Mário.

Estamos juntos nesta caminhada faz tempo... De desconstruções de conceitos e construção da Graça de Cristo em nossos corações.

Sei bem o que você expôs. O que você passou eu também passei.
Você sabe que eu nasci na CCB, batizei-me com 8 anos, fui auxiliar de jovens 3 vezes, Cooperador de Jovens solteiro ainda e por fim Cooperador Oficial.

Para você ver que este dilema e luta não afetam apenas quem ouve e é liberto, mas também quem prega e é liberto.
Eu conheci a Graça de Cristo após ser Cooperador Oficial. Você acompanhou bem o período todo. Preguei por quase 5 anos apenas o Evangelho de Cristo, anunciando a miséria humana que todos estamos, a Graça imerecida nos dada por Cristo na Cruz, a Liberdade e a Regeneração que o Espírito Santo nos dá, enfim, anunciei por quase 5 anos em dois cultos semanais o Evangelho a Igreja que atendia.

Porém poucos foram mudados. A maioria ainda se agarrava às regras, às barganhas com Deus, ao legalismo como justificação diante de Deus, entre outras coisas.
Isso aliado que eu era o único no meio do ministério regional que pregava o Evangelho. Havia certa “comparação” quando outros membros do ministério pregavam na Igreja que eu atendia. E era normal a Igreja ir a êxtase com promessas, linguagens entre outras coisas. Vi várias vezes que perdia meu tempo.

Sim, eu estava lançando a Semente pelo caminho, em espinhais e pedregais…

Eu queria sair, mas tinha os medos que você citou. Família, amigos, laços culturais… Enfim, isso me prendia. Até que no dia do meu aniversário, aonde terminei minha terceira década de existência e iniciava minha quarta década de vida, orei a Deus juntamente com minha esposa. Pedi a Deus que não deixasse eu disperdiçar mais uma década de vida, para chegar depois de mais 10 anos e olhar para trás e ver que perdi meu tempo.

Então em Janeiro deste ano, após muita oração junto com minha esposa, li uma carta a Igreja que atendia, expus tudo que eu havia pregado no curso dos anos e renunciei ao ministério e ao cargo de membro da comunidade.

Foi um grande choque aos amigos, parentes e irmandade geral. E confesso que não foi fácil para nós. Porém o tempo foi passando, a Paz invadiu nossos corações. Estamos nos reunindo com alguns evangélicos independentes aonde a Palavra tem sido sincera e verdadeira. Há muitas diferenças da CCB, porém em vários cânticos e nas pregações, nossa alma se alegra.

E mantenho carinho pelos irmãos da CCB. Estivemos recentemente numa Reunião de Jovens com eles, eles ficaram contentes, porém percebi que ainda não entenderam o porquê da nossa decisão. Pensaram que “estamos voltando a Congregar”…

Enfim, sinto pena em saber que os membros da CCB são assim tão idólatras… Idolatram o que um ancião diz, idolatram o lugar de culto, idolatram o momento da pregação… Isso é triste.

Digo que não tenho mais ligação nenhuma com a denominação. Tenho carinho pelos membros e tenho muitos como irmãos, mas minha consciência não permite congregar com eles por saber que do Evangelho de Jesus Cristo, eles estão bem longe.

Ore por nós. Queremos muito anunciar a Palavra ao povo aqui do país que moramos. Fazer Cristo ser conhecido pelos homens e mulheres deste lugar, para que recebam em suas vidas a Luz, o Perdão e a Paz que É Cristo, nosso Senhor!

Grande abraço meu irmão.

Que Deus te abençoe.
Henrique

Mario disse...

Henrique, graça e paz!

Pois é, uma andorinha não faz verão, e viver esta experiência nos ensina uma coisa, os membros da CCB são muito difíceis de se evangelizar, isso demonstra o quão danoso é a pregação da doutrina paralela feita em cima dos púlpitos sob pretexto de revelações que anulam a doutrina constante na capa do hinário e as pessoas nem percebem que se fala algo diferente do que está escrito.

Histórias como a minha e a sua são muitas, o enredo é sempre o mesmo, os personagens e o lugar é que são diferentes.

Mas é como você disse, o carinho por eles permanece.

Eu fiz uma visita a CCB há uns 3 anos atrás, mas foi aquela visita do tipo que fazemos pra ver os parentes/amigos que não vemos a um tempo, fiz a visita mesmo sabendo que naquela noite sairia da igreja da mesma forma que entrei.

Deus te abençoe!

Fraterno abraço.

Cesar Augusto Camargo disse...

A Paz de Deus e a graça de Cristo Jesus

Amados,

Imagino como é difícil a gente chegar numa maturidade espiritual através das escrituras, sermos agraciados com tais esclarecimentos a ponto de transbordarmos no saber de Cristo e quando colocado para o fora, expondo para irmandade o real entendimento, muito deles (Nem todos) faz aquela cara de interrogação, surpresa ou repudio - por que cada cabeça foi moldada num paradoxo de juízos - e acaba não aceitando. Porque? Faltou virtude? Pregou-se só a letra e não pregou os mistérios ocultos contidos nos corações dos ouvintes? Não deu a resposta para quem foi buscar sobre casamento? Mudar de serviço? Fazer uma viagem ou visita para um necessitado não crente?
Acredito que não, na verdade, estes só querem ouvir o que eles querem, mas não querem ouvir o que Deus quer que ouçam - O evangelho simples e pratico de Cristo!

Perdoem-me, pelo meu singelo comentário, mas é o que sinto.

Ficam na Paz de Deus.

matheus anjos disse...

A PAZ DE DEUS a tds.

Eu mesmo ja fui liberto,pela graça de Deus,das prisões espirituais e psicológicas do exclusivismo religioso e das heresias pregadas pela CCB.

É dificil mesmo ser liberto,mas o poder da PALAVRA DE DEUS foi maior na minha vida.

Agora estou esperando a "libertaçao"física.
Pois é muito ruim vc ficar em uma denominaçao que nao prega o evangelho genuíno e verdadeiro.

Estou orando muito para que Deus preparu td para minha partida.Para que eu encontre um grupo de cristaos com que eu possa verdadeiramente viver e desfrutar do EVANGELHO PLENO.

Marcelo Brüderlein disse...

Os dois maiores males da CCB são: o exclusivismo e a prática de "buscar a palavra".

O exclusivismo é uma coisa que não tem pé nem cabeça e não trás benefício para ninguém - só provoca indignação e ressentimento nos crentes de outras denominações. Se a CCB não quer se misturar com outras denominações ela tem até esse direito, mas dizer que ela é o único caminho é uma afronta a Deus, pois só Ele pode dizer quem será salvo ou não.

O hábito de buscar a palavra não faz parte da doutrina cristã. No Antigo Testamento o povo de Deus era guiado pelos profetas, mas hoje temos que ser guiados pelo Espírito Santo.

Uma amiga da minha esposa casou-se de acordo com "a palavra" e em poucos meses o marido revelou-se um lobo. Ela sofre há mais de 30 anos.

Um casal de amigos nossos viajou para Londres de acordo com "a palavra". Chegando lá foram presos e mandados de volta ao Brasil no dia seguinte como "inadmissíveis.

Muitos irmãos fazem coisas de acordo com "a palavra" e depois sofrem duras consequências. A culpa é do pregador? Nunca! A culpa é sempre do ouvinte que "pegou a palavra errada".

Com essa busca incessante por profecias a doutrina fica de lado. Como pode uma igreja que despreza a sã doutrina se declarar o "único caminho"?

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