domingo, 13 de outubro de 2013

Dízimo: cuidado com os vendedores de bençãos

8 comentários

Desconfie de quem disser que se você honrar a Deus financeiramente (leia-se "dar dinheiro a igreja") você poderá fazer prova de Deus, ou então, que se você der um receberá de volta dez vezes mais.

A Bíblia ensina que não devemos ficar ansiosos pelo que haveremos de comer e beber no dia de amanhã, e usa como exemplo as aves do céu, que não plantam, não colhem e nem por isso morrem de fome, porque Deus cuida delas. Por um acaso você não é mais importante para Deus do que uma ave? (Mateus 6:26).

Se você dá um tanto esperando receber tantas vezes mais, certamente, não está ofertando com o mesmo sentimento daquela viúva pobre, que deu a menor das ofertas, porém, a mais significativa, porque ela fez de maneira despretensiosa e com sinceridade em seu coração (Lucas 21:1-4).


Fomos ensinados a pedir o "Pão nosso de CADA DIA" (Mateus 6:11), então, se você contribui na obra (igreja) ou dízima como se estivesse fazendo um investimento na bolsa de valores e esperando obter bênçãos e bens materiais (como uma espécie de lucro) você não está fazendo a coisa certa.


Você pode se considerar um cristão sincero por ser um contribuinte assíduo e generoso na igreja, mas se   fizer por vaidade, não se apiedar dos necessitados ou se você se aborrece com o mendigo que bate na sua porta pedindo um mísero pedaço de pão para saciar a fome, então, você ainda na compreendeu a Palavra de Deus em sua plenitude.


Não estou dizendo que não devemos contribuir na igreja e muito menos fazendo apologia contra o dízimo, estou dizendo que nossas contribuições não nós conferem qualquer direito de barganha com Deus, elas devem ser espontâneas, despretensiosas e sinceras e que se alguém usa do argumento do toma-lá-dá-cá para que você contribua na igreja este é mentiroso.


É responsabilidade dos membros da igreja o sustento financeiro da mesma, mas cada um dentro de suas possibilidades.


Quando comecei a frequentar a CCB  eu tinha 14 anos e minha família passava sérias dificuldades, até fome passamos,  eu trabalhava de domingo a domingo e muitas vezes não tinha 10 centavos para tirar uma cópia na escola, pois, todo o meu salário era usado em casa para o sustento da família. Durante 5 anos frequentei a CCB sem contribuir com nada, mesmo assim Deus me abençoou grandemente.

O tempo passou, eu me esforcei, Deus abençoou e me deu uma profissão, preparou o emprego dos meus sonhos e com uma bela remuneração, mais que o suficiente para dar uma vida mais confortável para minha família. Apesar da CCB não ser adepta do recolhimento do dízimo, eu queria expressar minha gratidão a Deus, então, coloquei secretamente em meu coração o propósito de reservar 10% do meu salário para a Obra da Piedade e também que todo aumento de salário, independente do montante, a diferença do primeiro pagamento também era destinada a obra pia. E nunca me senti vaidoso por algumas vezes ver que minhas contribuições somavam quase 10% de tudo que minha comum congregação com muitos membros arrecadava durante o mês. E Deus continuou me abençoando da mesma forma, nem mais e nem menos.

Dias atrás li num artigo de uma denominação evangélica sobre o dízimo que se você não dá o dízimo na igreja você não está demonstrando o compromisso com a expansão do Reino de Deus, ainda que faça caridade com todo seu dinheiro. E deu exemplos da fidelidade dizimista de alguns personagens bíblicos como exemplos de que quem dizima pode fazer prova de Deus, algo do tipo: se você contribuiu você pode cobrar as suas bênçãos.


Oras, Deus não precisa de nós e nem do nosso dinheiro, a expansão do Reino de Deus não se dá pela expansão das instituições religiosas, mas sim com a pregação do evangelho e isto independe paredes, placas, rádio, TV... Para a expansão do Reino de Deus apenas uma coisa é necessária, alguém que disposto cumprir ao mandado do "ide e anunciai" (Marcos 16:15).


O cristão mais atento, que conhece a Bíblia, que é a regra de fé e conduta para os cristãos, vai perceber que este discurso do "é dando que se recebe" destoa da Palavra de Deus, pois, Jesus disse: "quer ser perfeito, vá, vende tudo o que têm, dê o dinheiro aos pobres. Assim terá riquezas no céu. Depois venha e me siga." (Mateus 19:21).



O amor de Deus por nós e suas bençãos não estão condicionados ao montante de dinheiro que depositamos em sua obra, seja na forma de oferta ou dizimo, antes mesmo que tomássemos consciência da existência de Deus, Ele já nos amava incondicionalmente, tanto é que deu a vida do seu Filho (Jesus) para nos remir.  

Ao ofertar e dizimar, faça com sinceridade e gratidão, Deus não se importa com o montante, mas com o intento do seu coração.



Da mesma forma que devemos ser desapegados do dinheiro, as instituições também deve ser, os evangelhos retratam a vida de Jesus sem luxo, sem ouro e sem prata, foi muito simples... A realidade das igrejas não deveria ser diferente.

8 comentários:

Weslei Rocha disse...

Parabéns pela postagem. Penso no dízimo ou oferta (não consigo desassociar uma coisa da outra como muitos fazem) como uma forma organizada e coerente de cooperação na obra de Deus. Quem contribui esperando algo em troca reduz as bençãos de Deus em meras coisas terrenas.

Mario disse...

Weslei, a paz seja no teu coração.

Penso assim, aquele que contribui com qualquer valor, maior ou menor que 10% do seu salário, este está ofertando. Já aquele que faz a conta e reserva 10% do seu salário para dar na igreja, este é dizimista.

Abraço!

Regina Farias disse...

Mario,

Cobrar bênção é hilário. Sem comentários aff

Algo a se refletir é que dezesseis das trinta e nove parábolas de Jesus falam de riquezas, o que significa que as referências bíblicas são feitas mais ao dinheiro do que à salvação. E isso, porque Jesus conhece o nosso coração e sabe que dinheiro interessa às pessoas. Diariamente lidamos com dinheiro, podendo ser uma bênção ou uma maldição, pela sutileza, pela tentação de gastar ao bel prazer quando se é para compartilhar, por exemplo.

Poucos entendem que a riqueza que Deus dá é d’Ele, mas não que seja pra entregar na igreja pra se livrar de culpas. E menos ainda para acumular bonificações junto ao grande Banqueiro rss

Jesus ‘radicalizou’ com o pobre riquinho, mas, na verdade, Ele não queria que ele saísse vendendo tudo. Ele estava apenas testando-o ao vê-lo exaltar-se como o crente certinho que cumpria TODAS as obrigações de filho de Deus.

Outra coisa que aproveito o gancho é que tem denominação que se exalta como certinha por não exigir dízimo, mas o terror psicológico que instala sutilmente nos corações sinceros para colaborarem com ‘ofertas’, é tão pernicioso quanto o das cobranças escancaradas do tal do dízimo. Sinceramente, não vejo qualquer diferença. As cobranças e promessas - veladas ou escancaradas - são as mesmas e com a mesma finalidade.

Já vi gente dizendo aflita que não pode ir à igreja mas ‘tenho que ir hoje ao culto porque vou levar minha contribuição. É uma questão espiritual’. Como assim, espiritual?! Só se for no sentido da velha opressão religiosa que tanto fazem confusão. Sim, porque isso de contribuir com dinheiro deve ser uma coisa natural, uma ação espontânea e consciente, pois que é vida prática, é necessidade, é o compartilhar no verdadeiro sentido material da palavra. Ora, se não dá pra ira à igreja, envia a contribuição por alguém, vai em outro horário senão do culto, ué!

Abs,
R.

Mario disse...

Pois é Regina, o terror imposto algumas vezes é mais caro do que cobrar o dizimo rsrs

HP disse...

Mário,

E tem o outro lado também, pessoas que não compartilham o que tem de jeito nenhum.
Como você mesmo disse, sozinho tua oferta perfazia uma grande porcentagem no total. Sinal que muitos dos membros não colaboravam.

Já vi muita gente pobre compartilhar por amor o pouco que tem, como gente rica compartilhar no muito que tem por amor. Louvo a Deus por estes que entenderam um dos mistérios do Evangelho, que sabiamente a Regina citou: "Tudo é de Deus".

Do outro lado já vi mesquinhos pobres e ricos que não dividem nada. Destes tenho pena, pois não sabem o que é ser realmente feliz.

Valeu pela postagem necessária.
Abs!!

Mario disse...

HP, paz seja contigo!

Você falou a coisa certa "saber dividir".

E eu aprendi isso com minha mãe desde cedo, tínhamos uma vida bem difícil e mesmo assim algumas vezes ela dividia o pouco que tínhamos com quem nada tinha.

Eu contribuía generosamente na Obra da Piedade porque sei o que é ter fome e não ter comida, então, eu queria amenizar o sofrimento de alguns.

Um abraço!

Tiago Rocha disse...

A Paz de Deus.

Bela postagem, sabias palavras e reflexão....

a tempo tenho percebido, deis de quando passei a ler a bíblia buscando

se aprofundar mais e mais, tenho visto que o amor de cristo pelo os humanos surpreendentes, tenho apreendido muito com a leitura e com as postagem dos blogs na qual tenho acompanhado ultimamente, Deus não quer que façamos nada por moeda de troca, pois estaremos sendo hipocritas se assim o fizermos, sei que muitos tem apreendido
isso em suas respectivas igrejas, sempre oro ao senhor para que ele abra a mente das pessoas e que elas deixei de ser escravos, e passam a ser livres .. como o senhor diz, sejam vos livres........
abraço.

Sonia disse...

Certa vez conversando com um membro de uma certa demominacao ,ele me disse algo que me entristeceu profundamente:aos sabados ele ia nos hospitais falar da Palavra de Deus para doentes terminais.Mas, quando um membro com uma certa hierarquia la dentro ficou sabendo disso , pediu para ele parar com isso , pois aquelas pessoas nao podiam pagar o dizimo. Eh de doer na alma...

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