terça-feira, 20 de setembro de 2011

Um pecado chamado intolerância

2 comentários
Em primeiro lugar, gostaria de lembrar que Jesus Cristo nos disse que os sãos não necessitam de médicos, e sim os doentes, por esse motivo, ele veio para os pecadores e não pelos justos (Lucas 5:31-32).

E por ser amigo de pecadores (Mateus 11:19; Lucas 7:39; Lucas 19:7; João 8:11; Romanos 5:8; 1° Timóteo1:15), e acolher os desprezados, tal como os leprosos (Mateus 8:3), publicanos e prostitutas (Mateus 21:31; Lucas 7:29), mulheres pecadoras (Lucas 7:47; João 8:11), pecadores desprezados (Lucas 15:2); ladrão moribundo (Lucas 23:43) e o cego expulso (João 9:35),  escandalizou aos religiosos que irritados perguntavam: Por que comeis e bebeis com os publicanos e pecadores?” (Lucas 5:30).

Jesus não combatia aos pecadores, mas tinha por eles grande amor, compaixão e misericórdia, e ensinava aos seus discípulos e seguidores a fazerem o mesmo, tanto é que o maior de seus mandamentos éAmarás o teu próximo como a ti mesmo.” (Marcos 12:31).

A Bíblia, que é a Palavra de Deus, também nos dá outros exemplos de homens e mulheres que pecaram, mas contaram com a misericórdia de Deus e até mesmo foram usados por ele como instrumentos, por exemplo, o mentiroso Abraão se tornou o “amigo de Deus” (Genesis 12:13 e Tiago 2:23), o trapaceiro Jacó foi exaltado ao status de nação (Genesis 27:19 e Genesis 32:38),  a prostituta Raabe foi usada por Deus para salvar dois de seus servos (Josué 6:17), o adultero e assassino Davi era amado e abençoado por Deus  (1° Samuel 17:49; 2° Samuel 11:4).

Deus é amor (1° João 4:8), não faz acepção de pessoas (Romanos 2:11) e Ele  amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna (João 3:16), fez isso mesmo sabendo que o homem estava imerso e morto no pecado (Efésios 2:1).

Tudo isto que escrevi parece um tanto obvio, portanto, seria desnecessário escrever, mas escrevi, pois, parece que estas coisas foram esquecidas por aqueles que se dizem os verdadeiros servos do Deus Altíssimo, que são pessoas que ignoram sua própria condição humana e pecaminosa, mentem a si e aos outros ao fingir que não tem pecado algum (1° João 1:8), é incrível, mas o pecador já não é mais bem-vindo na igreja, a igreja já não é mais um hospital para pecadores, parece mais ser uma galeria de santos, e o amor que deveria ser regra (Gálatas 5:14) virou uma rara exceção.

Apesar de a Bíblia nos ensinar a não julgar os nossos semelhantes (Tiago 4:11-12) muitos tem julgado aos seus irmãos, e desta forma tem “atirado pedras” em pessoas que com certeza Jesus perdoaria. Nem preciso dizer que o homem não é um justo juiz, basta lembrarmos que Jesus sem pecado algum foi crucificado e teve uma morte terrível.

E ele foi condenado à cruz por pessoas que se julgavam sabias e verdadeiras representantes de Deus na Terra, pessoas que aparentemente estavam de acordo com todas as normas religiosas impostas pelos próprios religiosos, aliás, se por um lado Jesus abraçou demasiadamente ao pecador, por outro, ele combateu ferrenhamente aos falsos mestres que falavam em nome de Deus, mas não falavam e nem agiam de acordo com a doutrina da Deus (Mateus 23:14-16).

Da mesma forma que um dia questionaram a Pedro por levar as boas novas aos gentios (Atos 11:2-3), nos dias atuais há quem se julgue apto a dizer que os fornicadores, os adúlteros, os homossexuais, os alcoólatras, os tatuados, os drogados, entre outros, também não têm o direito de fazer parte da família de Cristo. Felizmente no passado os cristãos primitivos tiveram o entendimento que Deus não faz nenhuma distinção entre seus filhos (Gálatas 3:28) e infelizmente os cristãos dos dias atuais, como o filho ciumento da parábola do filho pródigo (Lucas 15:11-32) não conseguem aceitar um Pai tão generoso capaz de amar seu filho mesmo com suas imperfeições, colocaram um catraca no céu e dizem quem vai ou não entrar no Reino de Deus, esquecem-se que o próprio Jesus combatendo a falsa religião afirmou que os publicanos e prostitutas entrariam no céu antes  desses que por fora são caridade e por dentro são maléficos (Mateus 21:31).

O pecado da intolerância

Discordar da forma de pensar e agir das pessoas por elas pensarem e agirem diferentes de nós é algo absolutamente normal e aceitável, porém, fazê-lo com sangue nos olhos, ódio no coração, violência nas mãos e desrespeito a dignidade humana é algo inaceitável e condenável tanto pelas leis do homem quanto a Palavra de Deus. O intolerante religioso se utiliza da força para ferir aquele que está em desvantagem ou fragilidade, suprimindo ou limitando a liberdade de consciência, expressão e até mesmo de estar congregado numa igreja junto dos “santos”. A história da igreja está repleta de exemplos do quão maléfico e desastroso é render-se ao pecado da intolerância, a Bíblia também (Atos 21:36).

A igreja tem o dever de preservar a fé mantendo os mais elevados padrões éticos e morais, porém, há de se distinguir bem intolerância, que não tem nada haver com disciplina cristã, pois, disciplina deve ser algo praticado com caridade, não é algo punitivo ou repressor. Pode parecer desnecessário falar isto, mas há homens e mulheres que sob o pretexto de fazerem a vontade de Deus estão se deixando tomar pela falta de amor e por um espírito vingativo,  isto nada tem haver com a vontade de Deus, que nos ensina que: “a ira do homem não produz a justiça de Deus” (Tiago 1:20).

Seja tolerante, mesmo com imperfeições, ame ao seu próximo como ele é, alguém pode estar se esforçando muito para amar você!

2 comentários:

Regina Farias disse...

"Naquele 'dia' não se perguntará quais eram as suas doutrinas, nem como era a sua forma de batismo, nem qual era a sua religião, nem quantos trabalhos cristãos você fez, nem se perguntará pela sua estatística de 'quantos você converteu para Deus na Terra'. Perguntar-se-á se você viu Jesus por aí, com fome, maltratado, com sede, preso, doente, lá no 'brejo da Cruz'. E as pessoas vão dizer. 'Senhor, nós nunca te vimos assim!' E Ele vai dizer: 'Sempre que vocês deixaram de atender a um ser humano nesse estado de degradação, de prisão, de dominação, de infelicidade, de angústia e de miséria, vocês deixarão de atender a mim.' É uma pena que Mateus 25 não seja levado a sério pôr nós. Não se esqueçam: é com base no amor ao próximo que se estabelecerá o critério final, o critério ômega do juízo“.

Fragmento de um texto do Caio Fábio que estarei postando logo mais no meu blog, como complemento deste.

Com temor e tremor,

Regina.

Debbi Cruz disse...

Infelizmente o povo judeu não entendeu, os romanos não entenderam e a igreja brasileira hoje ainda não entendeu quem é Cristo.

Dizemos servir a um Deus de amor e agimos com intolerância com o nosso próximo, somos absurdamente contra os pecadores e toleramos em nosso meio o pecado (quando deveríamos fazer o contrário).

A igreja brasileira precisa urgentemente compreender a base do cristianismo que é o amor ao próximo, pena que muitas comunidades de fé tenham se apegado a teologias malucas e gananciosas e que hoje os cultos estejam tão voltados para o homem ao invés de Deus.


Complicamos demasiadamente a vida cristã, que apesar de ser difícil de ser vivida é simples.


Parabéns pelo artigo!

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