quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Ao ministro de ovelhas machucadas

2 comentários
Não é a toa que a Palavra de Deus diz que os ministros, além de serem irrepreensíveis, devem ser sóbrios, temperantes, inimigo de contendas, governem bem a própria casa, sejam respeitosos e não sejam violentos, por isso, eles são aptos a ensinar (1º Timóteo 3:2-4).

E para completar a Palavra de Deus diz: “se alguém não sabe governar a própria casa, como cuidará da igreja de Deus? 1º (Timóteo 3:5)

O índice de violência contra a mulher, inclusive no meio cristão, é altíssimo, reportagem do jornal O Estado de São Paulo de 21/02/2011 (Link), indica que a cada dois minutos cinco mulheres são espancadas no Brasil, ou seja, todos os dias 3600 brasileiras são espancadas.

Confesso que em mais de 10 anos freqüentando a igreja assiduamente nunca ouvi uma só pregação que tratasse sobre o assunto da violência doméstica.

Como pastores das ovelhas do Senhor na terra, os ministros devem cuidar delas, inclusive, ensinando que para o casamento ir bem tanto o esposo quanto a esposa devem tratar um ao outro com carinho, respeito e compreensão.

De cima do púlpito os ministros devem ensinar que “digno de honra entre todos é o matrimonio” (Hebreus 13:14), e que após se casarem marido e mulher “já não são mais dois, porém uma só carne. Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem.” (Mateus 19:6)

Pode parecer estranho eu recomendar isto, porque se pressupõe que o motivo que leva um casal a subir o altar é o amor, mas diante dos altos índices de violência contra a mulher, não custa nada os ministros lembrarem aos homens que “os maridos devem amar vossas esposas, como também Cristo amou a igreja, e a si mesmo se entregou por ela” (Efésios 5:25) e que eles devem ter “consideração para com a vossa mulher como parte mais frágil, tratando-as com dignidade” (1º Pedro 3:7)

A Palavra de Deus diz que “aquele que sabe fazer o bem e não o faz comete pecado” (Tiago 4:17), portanto, meu irmão,  pregue sobre a importancia do amor e se você souber de algum caso de violência doméstica, não se omita, intervenha e aconselhe, caso não resolva então denuncie as autoridades. Somente assim é que naquele dia você escutará do teu Senhor: “Vinde, benditos de meu Pai! Entrai na posse do reino que vos está preparado desde a fundação do mundo.” (Mateus 25:34), porém, não só os ministros, mas todos que se omitirem diante da violência e opressão,  naquele dia escutarão: “sempre que o deixastes de fazer a um destes mais pequeninos, a mim o deixastes de fazer.” (Mateus 25:45).

Tu és um enviado de Deus (João 17:18), aproxime se das ovelhas que estão aos seus cuidados, se for necessário faça “curativos” naquelas que estiverem feridas, dê de comer se tiverem fome e de beber se tiverem sede.

O apostolo Paulo escreveu diversas cartas endereçadas às igrejas da Ásia, nestas cartas ele tratava de temas apropriados para aquela época, hoje, como servo de Deus, no exercício do seu ministério da Palavra faça o mesmo, oriente sobre os assuntos da nossa época, entre eles: a violência dentro de casa.

Procure saber mais sobre a violência doméstica e por meio das pregações ou conversas informalis chame a atenção da sua congregação para o assunto da violência, seja um instrumento de sensibilização da comunidade religiosa na qual você está à frente.

Se quiser ter uma real noção dos estragos, cicatrizes e mutilações física/moral que a violência doméstica causa diariamente na vida de milhares, visite uma instituição de apoio às mulheres vitimas da violência.

Estejam sempre prontos para “alegrar com os que se alegram e chorar com os que choram", diante de um caso de violência “não fiquem aflitos, nem tenham medo.” João 14:27

  • Ouçam
  • Acolham
  • Apóiem
  • Instruam
  • Encaminhem para as autoridades e organizações de apoio

Para que a violência doméstica na igreja deixe de existir, de cima do púlpito, seja um semeador, lance sementes da paz, “Pois a bondade é a colheita produzida pelas sementes que foram plantadas pelos que trabalham em favor da paz.” (Tiago 3:18)

Ministros sejam pacificadores porque “bem-aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus.” (Mateus 5:9), exerçam a justiça, pois, “o fruto da justiça será a paz, e a operação da justiça repouso e segurança para sem¬pre.” (Isaías 32:17), não deixem de mostrar as vitimas da violência que o silêncio é o principal cúmplice do marido violento.

Mostre aos homens violentos que é possível abandonar a violência e que isso apenas requer um pouco de esforço da parte dele, deixe claro que caso a violência persista ele pode perder sua família e até mesmo ser preso.

Instrua os homens violentos a se “Comportarem como homens livres sem usar a liberdade como véu para a maldade, mas procedendo como servos de Deus”. (Pedro 2.16).

2 comentários:

Regina Farias disse...

Mário,

Eu sei que choca o que vou dizer, mas precisamos dar uma chacoalhada nos nossos conceitos mofados e essa postagem é bem oportuna para isso.

Não é à toa que eu sempre digo que "a igreja" é a última a ajudar efetivamente. E entender essa grave omissão é tão simples quanto desconcertante: a igreja não quer queimar o próprio filme.

O que eu sempre presenciei(desde novinha, acompanhando a vida de crente de alguns familiares), foi gente "abafando o caso". Isso no plural (casoSSSS) porque havia (há!) uma enxurrada deles, relacionadas a todo tipo de violência doméstica. Sim, porque sabemos que violência não é apenas marido covarde bater em mulher permissiva. O sentido de agressão é mais amplo e tem a ver com qualquer disfunção familiar.

De vez em quando havia(há) um comentário por debaixo do pano de algum dirigente pulando a cerca, por exemplo, mas resolviam debaixo de sete chaves, usando de "leis" e critérios próprios para afastar o cara.

Enquanto isso, a IMAGEM de igreja perfeitinha continuava intacta diante daqueles que eram considerados "os outros". E a mulher (e possíveis filhos) que fosse prejudicada física e emocionalmente que tratasse de silenciar-se, conformar-se e orar "esperando em Deus".

Enfim, ninguém é menino pra não saber que isso sempre houve e sempre vai haver enquanto a denominação (nem preciso dizer qual) se achar incorruptível. E o mais grave: um achismo furado e aos olhos de homens, claro, porque Deus tudo vê. E ninguém melhor do que Deus pra saber que, na mão de homem - seja o que for!!!- torna-se sim, corruptível.

E eu não tô falando de crente "normal", falo dos que estão no púlpito mesmo! Daqueles que se dizem profetas de Deus, dos que falam como se fossem Deus usando a primeira pessoa do singular: eu, eu e eu!

Isso, entre outras coisas, me enojava. E, embora não soubesse absolutamente nada do Evangelho eu me afastava instintivamente, por mais que "profetizassem" que era lá que Deus estava.

Por tudo isso, agradeço a Deus pelas instituições que cuidam desses casos. Por mais que tenham suas falhas. Pois, ironicamente, nelas a hipocrisia e falta de isenção acontecem em escala assustadoramente MENOR do que no meio das próprias entidades religiosas.

Desculpe mais uma vez se me estendi, mas essa dobradinha violência versus omissão (venha de onde vier) me embrulha o estômago.

Deus te abençõe!

Cristão CCB disse...

Regina,

Obrigado por sempre enriquecer minhas postagens com seus comentários que agregam bastante.

Pois é, isso sempre existiu, e vai continuar a existir enquanto as vitimas de qualquer tipo de violencia não compreenderem que o silêncio é o cumplice e o perpetuador da própria violência.

Infelizmente, em nome de "não dar escandalo" muitos casos são abafados, porém, o escandalo só é adiado, porque o homem violento tende sempre a ser mais violento, até que um dia acontece um assassinato que logo vai para nos jornais... é só aí que os vizinhos, a família, os amigos e as igrejas perceberão que não deveriam ter acreditado que em briga de marido e mulher não se mete a colher... mas basta passar um tempinho e tudo volta a ser como era antes, ou seja, todos passam a se omitir diante da violencia.

Mas se as igrejas se atentarem para a situação pode ser que desistimule a violência ou estimule a denuncia por parte das vitimas.

Fique na paz de Deus!

Fraterno abraço,

Mario

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