sexta-feira, 3 de julho de 2009

Humanos ou humanóides???

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Faz tempo que ensaio para escrever sobre este assunto, mas por falta de tempo fui deixando pra depois, e depois, por fim acabei não escrevendo. Agora que as férias dos estudos estão aí, me animei a escrever antes que me esquecesse.
Há uns dois meses atrás estava indo pra faculdade, parado no sinal vermelho atrás de um carro de policia que tinha uma mulher detida no “chiqueirinho”, o carro da policia não tinha insulfime, fiquei com muita pena daquela mulher, por ser tão humilhada, mas logo a bendita razão me tomou e aquele forte momento de comoção se transformou radicalmente, passei a pensar que para alguém estar numa situação daquela ela tinha que ter feito por merecer, pensei coisas do tipo: “posso estar tendo pena de alguém que foi presa porque espancou o filho pequeno até morte”; “posso estar tendo pena de alguém que matou uma pessoa de bem por algo banal”; “posso estar tendo pena de alguém que é traficante e que contribui para a morte de gente inocente por causa do seu “negócio”. Mas logo outro tipo de razão me tomou, eu estava julgando semelhante, passei a me questionar sobre se a misericórdia e o perdão de Deus não se estenderiam também aquela mulher caso ela se arrependesse do seu erro e aceitasse a Jesus Cristo como seu salvador. Vi que a enxurrada de coisas ruins que a mídia nos lança em rosto muitas vezes nos faz esquecer daquilo com que realmente nos importamos, nos faz sermos menos caridosos e humanos.
Pouco tempo depois outra coisa incomum me aconteceu, estava em meu laboratório trabalhando, faltou material para eu terminar meu trabalho, apesar de estar no final da tarde estava ansioso pelos resultados por causa de uma reunião, decidi me deslocar até a área fabril para coletar o material que precisava para terminar o trabalho, estava contente, gosto de ir até a fabrica, a paisagem é bonita, a beira do rio, de vez em quando vejo alguns animais passeando por ali, toda vez olhando esse conjunto penso o quão engenhoso é nosso Deus. Pelo caminho me deparei com um homem de aproximadamente 30 anos que chorava copiosamente, ele estava do lado de fora do ambulatório da empresa, achei que estava passando mal, eu tinha necessidade de terminar meu trabalho, decidi ignorar aquela cena, mas daí a razão me cobrou, parei para pensar que uns minutos a menos para quem já estava lascado com tempo não faria a diferença, para um homem daquele tamanho chorar num lugar publico é porque definitivamente algo não estava bem, pensei também que o lucro da empresa não é mais importante que um ser humano, voltei e abordei aquele homem, perguntei se ele estava passando bem, ele disse que sim, que já tinha passado pelo médico, fui para a fabrica, entrei no setor para solicitar aos operadores que me coletassem a amostra que eu precisava, não sou bom para guardar nomes, acho que numa empresa grande isso até que é compreensível, vi um rosto diferente, pensei que era funcionário novo, mas fui surpreendido este “novo funcionário” me chamou pelo nome. Senti vergonha por dentro, eu sempre estou por ali, ele sabia meu nome, e eu não sabia o dele, eu nem sequer me lembrava dele. Daí vi que a correria do dia a dia, a competitividade estão nos tirando a sensibilidade, sempre converso com os operadores, mas mesmo com aqueles que converso nem sempre sei o nome, e todos eles sabem o meu. Talvez eu interaja com mais pessoas, por isso, não guarde todos os nomes e rostos. Mas acendi minha luz de alerta, não quero que minha vida se torne tão racional como geralmente o trabalho exige.
Mas voltando da fabrica, aquele homem ainda continuava a chorar, decidi que ia falar com ele novamente, senti vergonha, pois, comecei a pensar no que as pessoas que vissem dois homens conversando, um deles chorando copiosamente, iriam pensar. Mas tem hora que a gente precisa apertar o botão “vá se ferrar” pra fazer a coisa certa, fui até aquele homem, perguntei novamente se ele estava bem, se precisava de ajuda, ele começou a chorar ainda mais, perguntei o que ele estava sentindo, ele me disse que sentia uma grande tristeza que vinha do fundo do peito, me ofereci para conversar, para escutar, disse que ele era novo, precisava se animar, se apoiar na família, nos amigos, a cada sugestão que eu dava ele replicava com uma resposta negativa, vi que ele estava num quadro de depressão profunda, disse que quando a gente não consegue superar as coisas sozinhos, com ajuda da família/amigos devemos buscar ajuda profissional, que existem medicamentos que ajudam a amenizar a situação, foi quando esse homem me confessou que já fazia 3 anos que ele estava nesta luta. Disse pra ele ter fé em Deus, perguntei se ele freqüentava alguma igreja, ele disse que era católico, nisso chegou mais gente ali, logo fui embora. Comentei com as pessoas do meu setor, disse que achava uma irresponsabilidade do médico deixar alguém naquela situação sem acompanhamento, disse que também a enfermeira também foi omissa, narrei um pouco da conversa e no final teve alguns palhaços que me perguntaram se o rapaz me pediu também um beijo. Foi aí que vi que as pessoas realmente estão perdendo o senso de humanismo, como pode alguém não se comover com um semelhante naquela situação lastimável??? No outro dia fiquei sabendo que este moço tinha sido pego por alguns colegas na beira do rio, ali na empresa, ele ia se jogar. Na hora fiquei super aliviado por seguir meu coração, pois, às vezes tudo que as pessoas problemáticas precisam é de alguém que as escute, que mostre se importar com elas.Reparei que eu como cristão falho bastante quando me deixo guiar pela razão e convenções sociais, mas reparei que a maioria das pessoas são assim, quantos estão dentro da igreja todos os dias, conhecem a Bíblia de cabo a rabo, mas não se atentam para os seus irmãos que estão em situação difícil. Gente cadê o amor ao próximo??? Ao invés de ficar fofocando que esse fez isso, aquela fez aquilo, oremos pra que Deus os liberte, ao invés de dizer para o pecador ficar sentado quietinho no seu canto digamos a eles que o céus se alegra por um pecador que se arrepende, enfim, ajamos com o coração e não com a razão. Não somos máquinas.

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