quarta-feira, 17 de junho de 2009

Estudo da Igreja Anglicana sobre o cálice compartilhado na santa ceia

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Leia o artigo original (em inglês). Disponível em: http://www.toronto.anglican.ca/images/1Transmission_of_Disease_via_the_Common_Cup.pdf
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Em abril de 2003, Terence Finlay, bispo de Toronto (Canadá), surpreendeu a comunidade religiosa ao proibir o uso do cálice comum nas liturgias da Igreja Anglicana do Canadá, onde os membros compartilhavam o mesmo cálice na santa ceia/eucaristia, a medida foi adotada como ação preventiva ao surto da Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS). Tal ação destacou, mais uma vez, as preocupações quanto ao risco de transmissão de doenças infectos contagiosas através de atos litúrgicos de comunhão entre os membros da igreja.
O arcebispo Finlay, sacerdotes, um grupo de leigos e profissionais da saúde analisaram a situação e propuseram intervenções que permitiram reduzir os riscos de contagio de doenças através dos atos litúrgicos da denominação.
A comissão instituida, com base nas literaturas consultadas e opiniões de cientistas concluíram que:


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1) Partilhar o cálice num evento de comunhão entre os irmãos apresenta risco de transmissão de doenças infectos contagiosas;
2) Aperto de mão ou ósculo (este ultimo grifo meu) também durante a saudação também apresentam riscos de contagio de doenças contagiosas, especialmente a SARS.
3) O compartilhamento do cálice oferece maior risco visto que o vinho pode ser contaminado por microorganismos patogênicos (causadores de doenças) presentes na saliva.


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Logicamente, que nenhumas das atividades estarão livres dos riscos, mas há a necessidade de se saber reconhecer riscos para que eles possam ser evitados. É necessário fazer a avaliação, pois, o aumento da propagação de doenças como a SARS e H1N1 (esse ultimo grifo meu) causa medo nas pessoas, e o medo quando fica além do normal trona-se uma prisão e põe obstáculos para as relações para com nossos irmãos e também com Deus.
É impossível eliminar todos os riscos. Nosso testemunho de fé é um risco que abraçamos, Jesus arriscou sua vida pelo amor a Deus, ensinando-nos que quando vivemos como uma comunidade de fé, abraçamos o risco de viver neste mundo. Nossa fé em Deus nos permite avançar com a compreensão de que podemos abraçar com convicção o risco de vivermos pela fé neste mundo. Nós como comunidade religiosa não podemos escapar dos riscos, mas possuímos as virtudes necessárias para enfrentar os riscos, são elas: sabedoria, compaixão, generosidade, coragem, amor e fé.
A liturgia dos fiéis deve ser feitas com critério tomando todas as ações preventivas necessárias para diminuir os riscos, e assim praticarmos o autentica celebração onde os irmãos realmente estão numa comunhão perfeita por saber que não são expostos a uma condição perigosa.


Afinal, a santa ceia é apenas um ato simbólico realizado com um pedaço de pão e um gole de vinho, não se faz nada para encher a barriga.
Mas, ao nível simbólico, o pão e o vinho são alimento para a vida, uma refeição de esperança, um banquete que deve ser servido a todos. Sempre que nos esquecemos da natureza simbólica da santa ceia nos tornamos práticos (mesmo que seja para evitar riscos), mas estamos nos resguardando para que o símbolo não seja perdido devido ao medo dos fiéis em compartilhar o mesmo cálice.
Nossa devoção à partilha do cálice é fundamental para nossa liturgia, porém, nós enquanto Igreja e muito menos os fiéis somos obrigados a sermos descuidados nas nossas praticas de adoração. Após ouvir especialistas estamos dispostos a propor o seguinte:


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1) Temos que adequar nossas práticas litúrgicas aos cuidados sanitários indicados pelos profissionais da saúde.
2) Temos que respeitar nossa fé e tradição litúrgica praticada, a menos que a ciência mostre que os mesmos não são seguros.
3) Mesmo tomando ações preventivas para diminuir os riscos é razoável continuarmos a praticar a santa ceia para obedecer ao ensinamento de Cristo “fazei isto em memória de mim”.
4) É preciso que fiquemos atentos as informações sobre doenças infecto contagiosas disponibilizadas pelos órgãos oficiais de saúde publica que sugerem a interrupção de determinadas praticas que oferecem riscos.
5) Temos que continuar seguindo Cristo na celebração da Taça da Benção e agir conforme nossa declaração de união e fé.
Esses princípios podem ser moldados para as intervenções listadas abaixo.


RELATIVO AO CÁLICE COMUM


Devem ser feitas intervenções eficazes, no que diz respeito à partilha do cálice na santa ceia com o objetivo de eliminar os agentes patogênicos residual no aro ou outras partes do cálice. A tradicional limpeza do cálice pode remover quantidades significativas destes patogênicos residuais. No entanto, alterações podem ser feitas na pratica atual para aumentar a segurança e eliminação de microorganismos patogênicos, reduzindo assim o risco de doenças. O risco de transmissão pode ser reduzido por:


1) Assegurar que os cálices sejam higienizados adequadamente (água quente e sabão) e guardar os cálices em locais fechados.
2) Substituir diversas vezes o cálice durante a santa ceia, reduzindo assim o numero de pessoas que compartilham o mesmo cálice.
3) Os ministros devem ter extremos cuidados quando fizer a limpeza do cálice, para garantir a eficácia da limpeza.
4) Todos os ministros devem lavar bem as mãos com sanitizante (antimicrobianos) imediatamente no inicio da administração da santa ceia. A lavagem das mãos deve ser feito discretamente.


RELATIVO À SAUDAÇÃO


O aperto de mão é a forma mais comum de reconhecimento e de saudação na nossa sociedade hoje. Seria irrealista desencorajar ou suspender o ato do aperto de mão ou ósculo (este ultimo grifo meu), tanto no seio da igreja quanto dentro da prática do culto.


O risco de transmissão pode ser reduzido:
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1) Incentivar que os portadores de enfermidades contagiosas não participem dos cultos públicos.
2) Incentivar os fiéis a higienizar as mãos com sanitizante (antimicrobiano) ou pelo menos lavar as mãos antes do culto.
3) Exigir que membros do ministério, leigos ou qualquer pessoa que desempenhe alguma função durante o culto higienizem as mãos com sanitizante antes do inicio do culto.
Tais medidas não eliminam a transmissão de patogênicos causadores de doenças, mas podem reduzir significativamente o risco de contagio.
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A pratica de embeber um pedaço de pão no vinho continua a ser uma pratica viável no que diz respeito à gestão privada dos sacramentos para todos aqueles enfermos que estão impedidos de participar dos cultos públicos. Já no culto publico a pratica de embeber um pedaço de pão no vinho deve ser interrompido uma vez que esta pratica oferece um risco adicional devido ao inevitável contato dos dedos do ministro com o pão e/ou vinho.
Nas novas congregações a pratica de embeber o pão no vinho não deve ser introduzida e nem incentivada. No entanto, quando esta pratica fazer parte da cultura da congregação, as seguintes orientações devem ser seguidas:


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1) Não se deve usar pão cozido.
2) Para aqueles que preferem que o pão seja embebido no vinho deve haver cálice separado. Devem-se usar hóstias e patenas (recipientes para guardar as hóstias).
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Isto pode parecer complicado, mas a intenção é eliminar o contato dos dedos daquele que serve com o vinho que será servido aos demais membros da igreja. O recipiente para as hóstias permitem que o próprio membro retire a hóstia a ser consumida.
Embora a prática de embeber a hóstia no vinho seja considerada a mais higiênica de administrar a santa ceia, na realidade ela amplia a possibilidade de múltiplos contatos, daí em vez de reduzir o contato do ministro com os elementos da santa ceia na verdade ele é ampliado. Esta pratica não é indicada para pratica litúrgica de cultos públicos, devendo ficar restrita aos enfermos impedidos de freqüentar os cultos públicos.
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Este material foi elaborado por Douglas Graydon, Coordenador de Serviços de Capelania da Igreja Anglicana de Toronto, Canadá, com consulta feita aos especialistas da SARS Working Group.
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UM POUCO SOBRE A SARS (Síndrome Respiratória Aguda Grave)


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SARS (do inglês Severe Acute Respiratory Syndrome) ou Síndrome Respiratória Aguda Grave, é uma doença respiratória grave que afligiu o mundo no ano de 2003, cuja causa não foi ainda determinada (provavelmente causada por um coronavírus) mas se trata de uma grave pneumonia atípica.
Foi registrada primeiramente na província de Guangdong na República Popular da China em novembro de 2002, se espalhou sobretudo para partes do leste e sudeste da Ásia, bem como para Toronto no Canadá. A Organização Mundial de Saúde (OMS) emitiu somente em 2003 um alerta global em relação a Síndrome Respiratória Aguda Grave.
Os principais sintomas apresentados são: Febre Alta; Tosse; Dispnéia; Dificuldade de Respiração; Apresentando por vezes radiografias de tórax compatíveis com a pneumonia;
Muitas vezes confundida com a gripe aviária, embora não seja a mesma doença, é causada pelo coronavírus (CoV SARS) tendo diagnóstico a partir de sorologia e PCR.
Devido à sua rápida disseminação, fronteiras de todo o mundo passaram a exibir avisos sobre a doença, mobilizando seus órgãos de saúde para combatê-la pro-ativamente.
A doença teve repercussão internacional pois foi tema de um programa da BBC (inglês). A doença também foi tema do filme Plague City (2005), de David Wu. Com Karl Matchett e Ron White.


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REFERENCIAS BIBLIOGRAFICAS


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